Controle e prevenção são as principais estratégias dos órgãos de saúde para impedir o avanço dos casos de infecção hospitalar, que devido à gravidade do quadro dos pacientes pode até matar. No Paraná, as estatísticas das instituições de saúde começaram a ser divulgadas a partir de 2011 pelo Centro Estadual de Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).
Segundo o chefe do setor, Paulo Costa Santana, o objetivo do Paraná na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é diminuir em 30% dos casos de infecção hospitalar. Ele destaca, no entanto, a necessidade da formação de um histórico com dados antes de confirmar como o Estado deve bater a meta. O último balanço foi publicado com informações de 2013 e a previsão é que o novo relatório com dados do ano passado seja divulgado ainda neste mês. "Hoje, trabalhamos com a sensibilização dos hospitais para que as notificações sejam realizadas, o que é importante para traçar um perfil epidemiológico do Estado e também para o planejamento da própria unidade", afirma.
De acordo com Santana, cerca de 300 hospitais paranaenses notificaram as infecções mensalmente nas unidades de terapia intensiva (UTIs) em 2013 e existe a expectativa de que a adesão maior seja confirmada no próximo balanço do Centro Estadual de Vigilância Sanitária. "O Paraná é o segundo Estado que mais notifica os casos no País, atrás apenas de São Paulo, que possui uma grande número de unidades. As infecções hospitalares nunca serão eliminadas como um todo, mas medidas são necessárias quando o resultado foge do normal", alerta.
Santana evita comparações com outros Estados em relação ao número de casos por ventilação mecânica, cateter urinário e infecções primárias de corrente sanguínea por causa da "falta da cultura de notificação" no País. Ele justifica que o número de infecções pode ser baixo por causa da ausência de notificações e que quando sobe não significa, necessariamente, o aumento dos casos, mas o próprio crescimento dos locais que aderiram ao sistema de notificação on-line, o que é positivo devido ao maior controle.

PREVENÇÃO

Além do controle, realizado pelas comissões formadas por profissionais dos hospitais, a infectologista Viviane Carvalho Dias, presidente da Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar, ressalta a necessidade de campanhas de conscientização dos profissionais na área da saúde. "A principal medida de prevenção é a higienização das mãos com água, sabão e álcool 70%, conforme a OMS (Organização Mundial de Saúde). Isso deve ocorrer em cinco momentos: antes e após o toque no paciente, antes de qualquer procedimento e após o contato com secreções ou ao tocar superfícies", informa. "Com a adesão de 70% a 80% dos profissionais da área de saúde, os casos podem cair em 35%."
Viviane explica que as notificações ocorrem principalmente nas UTIs em pacientes com quadros mais graves que utilizam sondas, cateteres e outros dispositivos invasivos. "Com mais fatores de riscos, aumentam as chances de desenvolvimento de infecções por causa de bactérias do próprio corpo ou do ambiente hospitalar." A infectologista ainda alerta para os cuidados durante visitas nas UTIs, já que os familiares e acompanhantes não apresentam múltiplos fatores de risco, mas também devem tomar as medidas preventivas. O uso de antibióticos e a formação de bactérias multirresistentes são outra preocupação da infectologista. "As equipes precisam fazer avaliações diárias sobre a manutenção das sondas, cateteres e ventilação mecânica e o tratamento adequado das infecções com a suspensão de antibióticos quando não são mais necessários. Essas medidas também podem evitar as infecções nas UTIs", aconselha.

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