30 mil alunos do Prouni abandonam universidade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de dezembro de 2006
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- Em março deste ano, Priscilla Moreno Gardenski, 18 anos, tinha motivos de sobra para estar feliz. Selecionada para ingressar no Programa Universidade para Todos (ProUni) do Ministério da Educação (MEC), começava as primeiras aulas do curso sequencial de Química Ambiental Aplicada à Indústria, na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Curitiba. Ao completar um ano do curso, no entanto, apesar de ter bolsa de estudos integral, desistiu do curso, cuja mensalidade é de R$ 429,00.
Priscila faz parte de um grupo de cerca de 30 mil estudantes de todo País, que receberam bolsas do ProUni nos últimos dois anos, mas que acabaram deixando a universidade. O MEC ainda não sabe os motivos que levaram os estudantes à desistência, e está compilando, agora, as razões apresentadas pelas instituições que participam do ProUni para saber o que pesa mais nessa evasão.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, acredita que como o percentual de evasão do ProUni é muito semelhante ao das universidades federais, é provável que algumas das razões sejam as mesmas: abandono por conta de dificuldades para trocar de curso ou de turno, dificuldades com estruturas dos departamentos, decepção com o curso. A evasão no programa, calculada pela primeira vez este ano, alcança 15% e é praticamente igual a das universidades públicas, que alcança 30% em quatro anos.
Os motivos de Priscila endossam a opinião do ministro. ''O curso não era aquilo que eu pensava. Achava que seria mais ligado à área de meio ambiente, mas é como se fosse uma especialização na área de química. Ele não é graduação, nem técnico, nem para tecnólogo, é só sequencial'', queixa-se ela que também achava que poderia trocar de curso, o que não é possível. Agora, ela pretende fazer cursinho em 2007 e tentar uma outra bolsa pelo ProUni, desta vez para Administração de Empresas.
Outra hipótese levantada pelo ministro é que a evasão seja maior em cursos de ensino a distância, justamente por conta do tipo de estrutura do curso, que exige que o aluno tenha acesso a um computador conectado a internet. Se a hipótese se confirmar, o ministério poderá excluir esse tipo de ensino do ProUni.


