30% dos moradores de favela já se sentiram discriminados
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terça-feira, 05 de novembro de 2013
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina - Pesquisa do Instituto Data Favela, lançada ontem no 1º Fórum Nova Favela Brasileira, mostrou que 30% dos moradores de favelas brasileiras já sofreram preconceito. Além do fato de morar em uma comunidade, a pobreza, vestuário e cor da pele são fatores levados em conta na pesquisa. Para muitos, o endereço é item desclassificatório em um currículo.
Fábio Luiz de Aguilar, de 33 anos, morador do Jardim União da Vitória 5, na zona sul de Londrina, tem experiência avançada como operador de empilhadeira, mas atualmente está desempregado. Ele conta que aprendeu a lidar com a discriminação, mas que sofre na pele por não poder competir em condição de igualdade com outros concorrentes. "Ainda existe um preconceito das pessoas em achar que quem mora nos bairros pobres não presta", condenou.
Aguilar está incluso na faixa dos 30% discriminados pelo lugar onde mora. Para 32% dos que se disseram vítimas de preconceito, a cor da pele foi o motivo. Para 20%, o preconceito decorreu da falta de dinheiro e, para 8%, das roupas que vestiam.
Moradora em área de invasão no União da Vitória 5, Neuci Lima, de 34 anos, cuida de dois filhos enquanto o marido, José Maria de Lima, de 37, trabalha como pedreiro. Ela sonha com uma moradia melhor, mas prefere ficar a ir embora para um apartamento e pagar a conta por longos anos. O estudo revelou 66% dos entrevistados não querem deixar a favela. "Meu sonho é que autorizassem a construção de nossa casa aqui mesmo e fizessem o calçamento", relatou.
A pesquisa mostra também que 37% dos moradores de favela já foram revistados por policiais. A proporção sobe para 65% quando se trata de jovens de 18 a 29 anos. Por outro lado, 75% dos moradores são favoráveis à pacificação dos bairros.
O sociólogo João Batista Filho aponta que estudos recentes consideram a existência de 72 áreas de favela em Londrina. Em 1997, eram 43. "O número cresce rápido e não há políticas públicas eficientes para resolver o problema", alertou. Segundo ele, os primeiros nesta situação eram migrantes de pequenas cidades que pretendiam melhor situação de vida, mas hoje 35% são nascidos em Londrina ou na Região Metropolitana.
"São moradores que sofrem todos os tipos de preconceito enquanto áreas nobres da cidade são reservadas pelo capital para as famílias nobres. O processo de exclusão social é claro", expôs. "As soluções atuais, os campos de concentração como o Vista Bela, não resolvem o problema. Cala os descontentes e os coloca em débitos intermináveis", completou.(Com Agência Brasil)


