Curitiba - A Federação dos Bancários do Paraná (Fetec) fez um recente estudo indicando que 30% dos bancários sofrem algum tipo de transtorno mental. Essa seria a segunda maior doença entre os profissionais que trabalham em banco. De acordo com o secretário de Saúde, Segurança e Condições do Trabalho da Fetec, Gilberto Gedeão Soares, os transtornos mentais, o estresse é fruto normalmente da pressão dos bancários pela produção. Ou seja, além de fazer o trabalho normal nos caixas, os bancários têm uma quota de vendas de seguros de vida, de carro ou consórcios.
''Antes tínhamos um ou dois casos por ano. Agora a situação gera preocupação. O estresse é fruto da cobrança da chefia, do assédio moral. É uma perversão o que está acontecendo. O pior é que os bancos convenceram os trabalhadores de que eles são colaboradores e que precisam produzir'', pondera Soares. Por conta dos constantes casos de depressão e acidentes de trabalho, foi criada em 1998 uma associação que cuida dos problemas dos trabalhadores paranaenses.
A Associação em Defesa das Vítimas do Trabalho (ADVT) atende a pessoas que sejam vítimas do esforço inadequado em ambientes profissionais. De acordo com o coordenador Alexandre José Felizardo, é comum que os trabalhadores se queixem de estresse por motivos que variam do controle em demasia da produção do empregado, pressão, ameaça de desemprego e queda de produção. ''Os profissionais começam a se sentir ameaçados. Com medo. Isso gera um estresse violento. Muitas vezes os trabalhadores pedem demissão e ficam desempregados para se livrar da situação de estresse extremo'', conta.
Em todo o Paraná, já estão associados à ADVT cerca de 2 mil trabalhadores. A maioria é bancário, metalúrgico ou operador de telemarketing. A assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) informa que o estresse não é considerado como distúrbio ocupacional e não dá direito a afastamento e benefício.(L.P.)

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