Em 2012, 1.366 pessoas perderam a vida após serem atropeladas nas rodovias federais. O que mais impressiona é que 30% das mortes aconteceram em trechos onde há passarelas. Construídas para garantir segurança aos pedestres, elas são, muitas vezes, pouco utilizadas e viram locais para a prática de pequenos crimes.
De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no ano passado foram registrados 4.676 atropelamentos nos 70 mil quilômetros das estradas federais contra 5.089 em 2011. Há dois anos 1.467 pessoas perderam a vida após serem atropeladas.
A reportagem da FOLHA permaneceu por 30 minutos na passarela que sobrepõe a BR-369, na Vila Yara, zona leste de Londrina, e constatou que o número de pessoas que atravessou a rodovia sem o uso da passarela foi muito maior do que aquelas que utilizaram a travessia.
"Por aqui é muito mais perigoso e arriscado. A gente nem sempre faz a coisa certa, mas é que é mais fácil. Lá na passarela é muita rampa e cansativo para mim", confessou o aposentado Pedro Meneghetti, 84 anos, morador da Vila Yara. O idoso foi abordado pela reportagem minutos depois de atravessar a rodovia há 50 metros da passarela. "Uma vez duas meninas me atacaram e tentaram levar meu dinheiro. Nunca mais passei por lá".
Vários comerciantes e moradores da região afirmaram que diariamente presenciam a travessia de pedestres fora da passarela. "Principalmente os adolescentes e jovens que saem da escola", apontou o frentista Paulo Roberto de Freitas, 23 anos. A Escola Estadual João Sampaio fica a poucos metros da BR-369.
Mas há também bons exemplos de pessoas que não se preocupam em andar alguns metros a mais em troca de segurança. "Nem pela faixa e no sinaleiro eu atravesso. Só vou para o mercado, padaria e para o colégio atravessando pela passarela", garantiu a estudante Andreia Lopes Pereira, 18 anos. Ela mora na parte da Vila Yara que fica abaixo da rodovia e por isso necessita atravessar a BR diariamente.
"As pessoas utilizam pouco as passarelas por falta de educação e comodismo. Há muita reivindicação, mas mesmo depois da instalação os pedestres continuam arriscando a vida nas rodovias. Falta cultura e costume por parte da população", explicou o chefe de Comunicação da PRF do Paraná, Wilson Martines.
Segundo a PRF, o Paraná foi o estado onde houve mais vítimas fatais por atropelamento em 2012: 182. Em seguida aparece Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
"No Paraná existem muitos quilômetros de rodovias que cortam cidades de médio e grande porte como Londrina, Maringá, Paranaguá e Foz do Iguaçu, com a BR-277. Nestes trechos o fluxo de veículos, caminhões e pedestres é intenso e o risco de atropelamentos é maior", apontou Martines.

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