Londrina – Somente este ano, 2,5 mil metros de cabos telefônicos da Sercomtel foram furtados em Londrina, em 26 ocorrências, causando um prejuízo de R$ 77 mil. Em 2013, foram 67 furtos e o montante levado alcançou 10.286 metros, totalizando um prejuízo de mais de R$ 232 mil em material e mão de obra. O objetivo dos ladrões é extrair o cobre, principal metal contido nos cabos telefônicos, para revendê-lo.
Na manhã de ontem, moradores e comerciantes do Jardim Progresso (zona norte) foram prejudicados com o furto, durante a madrugada, de cerca de 30 metros de cabos. Os telefones e a internet só voltaram a funcionar por volta das 10h30. "Este ano já é a terceira que ficamos sem comunicação em virtude do furto dos cabos. É ruim porque perdemos o canal de contato com os nossos clientes", reclamou o empresário Jorge Tanaka, de 57 anos, proprietário de uma tornearia mecânica.
Já a dona de casa Nair Balbino de Oliveira, de 60 anos, conta que percebeu a ausência de sinal ao utilizar o telefone pela manhã. "Eu cuido da minha mãe, que tem 84 anos e passou por uma cirurgia na perna, e sempre estou falando com os meus irmãos sobre a saúde dela. Hoje foi difícil conversar com eles", frisou.
O gerente de Implantação e Manutenção da Sercomtel, Luis Carlos Bianco, informou que os furtos têm acontecido de forma pulverizada em várias regiões da cidade e em pequenas quantidades de cabos levados. "Dependendo do quanto foi levado o reparo pode levar o dia todo. Além do prejuízo aos clientes este tipo de atitude pode atrapalhar serviços públicos como escolas, postos de saúde e hospitais", enumerou.
De acordo com Bianco, a empresa tem realizado algumas ações na tentativa de diminuir o número de furtos, como a implantação de redes óticas e subterrâneas em algumas regiões. A Sercomtel, como medida preventiva, também instalou alarmes em 42 pontos da rede telefônica onde os ladrões agem com mais frequência.
"A comunidade pode ser uma aliada nossa para combater este tipo de crime. Se notar alguma atitude suspeita e verificar pessoas sem uniforme, identificação, com carros descaracterizados, principalmente no período da noite, comunique a polícia imediatamente", solicitou Bianco.
Reuniões com as polícias Civil e Militar e Guarda Municipal (GM) foram realizadas na tentativa de coibir os furtos. Um novo encontro está marcado para amanhã. Porém, a polícia reconhece a dificuldade em localizar os bandidos. "Normalmente estes crimes acontecem à noite e de madrugada e em lugares mais afastados. Quando os alarmes são disparados, os criminosos já conseguiram ir embora. Se não conseguir pegar em flagrante, fica difícil", frisou Márcio Amaro, delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial.
De acordo com o delegado, o mapeamento dos crimes mostra que os furtos acontecem próximos a bairros carentes e que a maioria é praticada por dependentes químicos. "Identificar o comprador também é difícil, já que depois que o cobre é vendido ele vai para os barracões e é misturado a diversos outros produtos. Não tem como saber a procedência das mercadorias", explicou Amaro.

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