25% dos crimes são praticados pelo pai
Londrina Quando se fala em abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, a maioria das violações é cometida dentro da própria família da vítima. Os genitores são responsáveis por um quarto das agressões.
O Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) 3, responsável pelo apoio psicossocial a crianças e adolescentes, na faixa etária de 0 a 18 anos, vítimas de violência em Londrina, atende atualmente 1.216 crianças agredidas, das quais, 706, ou 58%, sofreram abusos sexuais.
Deste total, em 62% dos casos (437) a exploração sexual aconteceu dentro da própria família. "O pai foi o abusador em 176 casos, ou seja, na grande maioria dos casos. Os padrastos também são responsáveis por um número significativo de abusos, cerca de 15%. Em seguida aparecem avôs, irmãos, tios, primos e outros parentes", revelou Adriana Aparecida dos Santos, coordenadora do Creas 3.
O Centro atende crianças e adolescentes após notificações de casos confirmados ou suspeitos revelados por entidades que compõem a Política de Proteção Social Especial, como escolas, Unidades Básicas de Saúde (UBS), organizações filantrópicas e a própria comunidade. A média é de 40 novos casos por mês.
A vítima e também a família recebem acompanhamento interdisciplinar com o objetivo de orientar os familiares a proteger a criança de novos abusos. "Quando a agressão vem de dentro da própria família é mais complicado, porque os familiares demoram a assimilar e compreender que o agressor cometeu um crime e precisa ser punido. Nestes casos, é fundamental afastar o agressor do convívio da família", ressaltou a coordenadora.
Adriana dos Santos entende que é fundamental dar visibilidade aos casos de violência sexual para encorajar as pessoas a denunciar. "Quando há notícias de agressores punidos, a sociedade se sente segura e encorajada a relatar esses abusos." (L.F.C.)





