Um levantamento divulgado ontem pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess) apontou que os planos de saúde brasileiros perderam 164,4 mil clientes em setembro, o que representa queda de 0,3% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No último trimestre deste ano, a retração foi ainda maior, de 0,5%, com o saldo negativo de 236,21 mil beneficiários. Segundo a entidade sem fins lucrativos, o País soma 50,2 milhões de beneficiários.
No Paraná, 6,7 mil do total de 2,9 milhões usuários rescindiram contratos com operadoras de plano de saúde nos últimos três meses, queda de 0,2%, abaixo da média nacional de meio ponto percentual para o mesmo período. A variação também é a menor da Região Sul. Em Santa Catarina, a redução ficou em 0,8%, e no Rio Grande do Sul, em 0,3%. O Acre foi o estado que apresentou a maior queda no trimestre (3,1%), enquanto o Maranhão teve o melhor desempenho no setor, com 1,5%.
Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do Iess, atribui os resultados ao agravamento da crise econômica, à queda do nível de emprego e aos efeitos sobre a renda das pessoas. "É possível que os beneficiários de planos coletivos por adesão, independentemente do momento de ingresso, tenham dificuldade para conseguir manter seus planos", disse.
Segundo o levantamento, na comparação anual, os planos coletivos empresariais, aqueles pagos pelas empresas como benefício aos funcionários, registraram leve retração de 0,1% (saída de 47,3 mil beneficiários), enquanto os planos coletivos por adesão tiveram aumento de 0,6%, ou 39,7 mil novos vínculos. Na comparação trimestral, os planos coletivos por adesão registraram queda de 0,9%, a maior entre todos os tipos de contratação, com a saída de 61,09 mil beneficiários.
A estimativa do Iess é que o setor feche o ano em queda, mas em proporção inferior à retração do Produto Interno Bruto e do nível de emprego. "O plano de saúde é o terceiro principal desejo do brasileiro, atrás de educação e da casa própria. É também um benefício muito valorizado pelos funcionários das empresas. Então, é natural que, enquanto houver condições financeiras, os beneficiários e as empresas tentarão preservar esse benefício", disse Luiz Augusto Carneiro.

DESEMPREGO
O diretor executivo da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Antônio Carlos Abbatepaulo, ressaltou que esta é a primeira redução de clientes no setor desde 2005, quando os dados passaram a ser compilados de forma confiável. Ele citou a crise econômica e o desemprego como causas diretas. "A questão do emprego é fundamental para avaliarmos esta questão. Se o empregado não tiver uma reserva financeira no momento do desligamento, com certeza irá fazer parte da estatística", analisou.
Apesar das dificuldades, o diretor da entidade que congrega os planos de saúde brasileiros acredita na solidez do setor. "A saúde privada é um setor que mostra resiliência forte. O plano de saúde é um dos últimos itens que o consumidor se desfaz em tempos de crise", comentou. (Com Agência Brasil).

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