Mais de 50 policiais civis participaram ontem da Operação Mulher Segura, realizada a pedido da Delegacia da Mulher em Curitiba. Os alvos são homens que descumpriram as chamadas medidas protetivas aplicadas após a formalização das denúncias de violência contra a mulher. Dos 45 mandados de prisão expedidos pela Justiça, 22 foram cumpridos ontem nas cidades de Curitiba, Colombo, São José dos Pinhais e Maringá.
De acordo com a delegada titular da Delegacia da Mulher em Curitiba, Sâmia Coser, a operação começou há pouco mais de uma semana e deve continuar nos próximos dias. "Já foram cumpridos 34 mandados de prisão no total. Isso é para que os agressores percebam que a Lei Maria da Penha tem um resultado efetivo. Acredito que a operação e a divulgação desse resultado realmente vão mostrar para esses agressores que eles têm que respeitar as medidas protetivas e que, caso desobedeçam, eles poderão ser presos", ressaltou a delegada. As ações de ontem foram realizadas com o apoio do Departamento de Execução Penal do Paraná (Depen).
Os mandados de prisão foram expedidos após um levantamento feito pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Curitiba, a pedido da própria delegada. Entre as medidas protetivas descumpridas pela maioria dos presos estão o desrespeito à distância mínima entre o agressor e a vítima e o contato entre ambos, mesmo após a restrição. "A vítima escolhe qual medida é a mais adequada para aquele momento e ela também pode mudar o pedido quando achar necessário. Essas duas medidas são as mais comuns, mas várias outras podem ser solicitadas. Em caso de agentes que têm acesso a armas de fogo, a vítima pode pedir a restrição do porte e da posse da arma. A mulher também pode pedir, por exemplo, a separação de corpos para que ela não seja mais obrigada a cumprir com os deveres maritais", ressaltou Sâmia.
Os homens que descumpriram a Lei Maria da Penha foram presos preventivamente, por tempo indeterminado, e sem a possibilidade do pagamento de fiança. Mais de 13 mil inquéritos estão em andamento na Delegacia da Mulher em Curitiba. Alguns tramitam desde 2011. A demanda, sempre crescente, preocupa Sâmia, que espera por um reforço na estrutura de atendimento. "Todos os dias, a delegacia recebe, aproximadamente, 35 mulheres que procuram a equipe para pedir informações sobre os procedimentos. Algumas delas não se sentem preparadas para fazer a denúncia. Dessas que procuram a delegacia, aproximadamente, 20 fazem registros de boletim de ocorrência", afirmou. Conforme a delegada, a Polícia Civil estuda a possibilidade de realizar operações também no interior do Estado.

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