Vinte e dois médicos de Londrina foram autuados pela Vigilância Sanitária, nos últimos dois meses, por receitarem fórmulas de emagrecimento proibidas pelos órgãos competentes. O balanço, divulgado ontem pelo departamento, aponta também que dois laboratórios de manipulação de medicamentos estão interditados pela mesma razão.
A Vigilância Sanitária guarda os nomes dos médicos e dos estabelecimentos em sigilo, mas garante que tem provas contra todos os envolvidos. Mais de 15 mil receitas médicas foram apreendidas nos próprios laboratórios. As operações foram iniciadas em abril, atendendo a solicitação do promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais e da Sa© úde de Londrina, Paulo Tavares.
Em abril, o promotor pediu a prisão do clínico geral José Carlos da Costa, acusado de ter prescrito receitas que levaram à morte a cabeleireira Luciani Zanutto da Silva, 24 anos, em agosto de 2001. Ela procurou o médico querendo perder ''um pouco de barriga'', segundo denúncia do Ministério Público (MP), e morreu um mês depois de consumir derivados de anfetamina e substâncias diuréticas, ao mesmo tempo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe essa associação medicamentosa.
Receitas semelhantes eram prescritas pelos demais médicos autuados em Londrina. Segundo o coordenador local da Vigilância Sanitária, Rogério Lampe, a maioria é de clínicos gerais, e não endocrinologistas. Vários já apresentaram defesa ao órgão, que ainda não concluiu nenhum dos processos administrativos. ''Já os laboratórios estão proibidos de produzir ou comercializar medicamentos. Eles entraram com mandado de segurança, mas continuam fechados'', ressaltou Lampe, garantindo que as operações serão rotina de agora em diante.
Tavares informou que já recebeu toda a documentação da Vigilância e que todos os casos serão averiguados, podendo ir a inquérito policial. Ele também está finalizando denúncia de tráfico de entorpecentes contra dois médicos que prescreveram fórmulas proibidas, assim como Costa.

mockup