217 mil paranaenses vivem em moradias irregulares
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Rubens Chueire Jr. <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de 217 mil paranaenses vivem em aglomerados subnormais, conhecidos como favelas, invasões, grotas, comunidades ou vilas em 13 municípios do Estado. Os domicílios nesta condição chegam a 61.807. A grande maioria desta população se localiza na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) - 181.247, entre um total de 3.169.352 pessoas. A Capital tem o maior número de moradias irregulares do Estado - 46.806, onde vivem 162.679 moradores, do total de 1.744.897 da população curitibana.
Os números divulgados na publicação ''Aglomerados Subnormais - Primeiros Resultados'' são baseados no Censo 2010. Segundo estes dados, 11,4 milhões de brasileiros (6% do total da população) vivem nesta situação. No ano passado o País possuía 6.329 aglomerados irregulares em 323 dos 5.565 municípios.
É o caso de Maria Floriano da Silva, 88 anos, que se mudou para Curitiba há mais de 50 anos, vinda de Natal (RN), com os filhos ainda pequenos. Ela mora, desde que chegou, na Favela Bom Menino, no bairro Campina do Siqueira. A aposentada divide o terreno às margens do Rio Barigui com os filhos Roberto Floriano da Silva, 32, e Elizabete Floriano da Silva, 46. Todos vivem em barracos de madeira e sofrem constantemente com as enchentes na região.
''Como sempre acontece, na época de eleição todo mundo vem aqui prometendo um monte de coisa, e até agora nada mudou. Desde que cheguei aqui não vi nenhuma mudança'', reclama Maria.
De acordo com os moradores, uma valeta passa entre os três barracos e, quando chove, a água sobe muito rápido. ''Temos que sair correndo, levando o que a gente consegue. Já deixo as minhas roupas dentro de sacos plásticos pendurados no teto do quarto porque quando sobe a água chega até a metade da parede'', conta Elizabete.
Silva, que trabalha com reciclagem, disse que depois das enchentes fica a sujeira e animais mortos no terreno. ''Sofremos toda vez que chove. É só o céu ficar um pouco mais escuro e começa a correria'', explicou.
Segundo Lourival Peyerl, supervisor de informações do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o órgão segue trabalhando para remover famílias em situação de risco. ''Termos esses levantamentos é um fator positivo para podermos saber onde devemos atuar'', disse.
Nacional
A Região Sudeste concentrava 49,8% dos 3,2 milhões de domicílios particulares ocupados em aglomerados subnormais (23,2% em São Paulo e 19,1% no Rio de Janeiro). Os estados do Nordeste tinham 28,7% do total (9,4% na Bahia e 7,9% em Pernambuco). A Região Norte possuía 14,4% (10,1% no Pará). A ocorrência era menor nas regiões Sul (5,3%) e Centro-Oeste (1,8%).
O esgotamento sanitário foi o serviço com menor grau de adequação (rede de coleta de esgoto ou fossa séptica) nos domicílios em aglomerados subnormais: 67,3% eram adequados, sendo 56,3% de domicílios ligados à rede geral de esgoto e 11,0% de domicílios ligados à fossa séptica.
Em relação ao fornecimento de água, 88,3% dos domicílios particulares permanentes em aglomerados subnormais eram adequados (abastecimento por rede geral de distribuição). Já a adequação do serviço de energia elétrica (fornecimento com medidor exclusivo) atingiu 72,5% dos domicílios em aglomerados subnormais
No Brasil, 95,4% dos domicílios particulares permanentes em aglomerados subnormais tem destinação de lixo adequada (coleta direta ou por caçamba), sendo que 79,8% atendidos por coleta direta e 20,2% por coleta indireta, por meio de caçambas de serviço de limpeza.



