Brasília, 28 (AE) - A possibilidade de ingressar na Universidade de Brasília (UnB) sem a necessidade de fazer vestibular levou 21 mil estudantes de todo o País à capital federal, no fim de semana, para realizar as provas da primeira e da segunda etapa do Programa de Avaliação Seriada (PAS). Criado há três anos, o programa avalia os alunos no fim de cada uma das três séries do ensino médio (antigo 2.º grau). Ao todo, 45 mil candidatos, concluintes da 1.º e do 2.º ano, fizeram o teste no sábado e no domingo.
Para o coordenador acadêmico do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da UnB, Mauro Moura, o número elevado de inscritos de fora do Distrito Federal deve-se ao fato de o PAS ser menos desgastante do que o vestibular. "É um processo que privilegia quem estuda regularmente", disse ele. "Fazer as três etapas é mais tranquilo para o candidato." Dos 26,9 mil inscritos para a primeira etapa, cujo teste foi aplicado ontem, 12,9 mil eram de outros Estados. No exame da segunda etapa, no sábado, 8,6 mil dos 18,7 mil candidatos também não eram do DF.
Amanhã a UnB divulga a lista da primeira turma de calouros selecionados pelo PAS. Os 9.669 inscritos na terceira e última etapa realizaram a prova no fim de janeiro e vão preencher 964 vagas, 25% do total oferecido por ano pela instituição. Medicina
com 47 candidatos por vaga, foi o curso mais procurado, seguido de propaganda e publicidade (42), jornalismo (37), nutrição (33) e direito (31).
Igualdade - A opção pelo curso só é feita pelo estudante na terceira etapa, no mesmo ano em que conclui o ensino médio. De acordo com Moura, o PAS tem permitido uma forte integração entre as escolas das redes pública e privada e a UnB. "Mais de cem docentes da universidade estão envolvidos com palestras e cursos para professores do 2.º grau", afirmou.
Na sexta-feira, começa o vestibular da UnB, em que outras 964 vagas estarão sendo oferecidas. Ao contrário do PAS, que é anual, o vestibular ocorre também no meio do ano.
A criação de processos de seleção alternativos foi exaustivamente discutida no ano passado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). No parecer aprovado pelos conselheiros, mas ainda não homologado pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, fica proibida a reserva de vagas para estudantes de determinadas escolas, via convênio, ou apenas a análise do histórico escolar do aluno.
Em relação a processos como o PAS, os conselheiros consideraram necessário que a inscrição seja permitida também a quem já concluiu o ensino médio há um ou mais anos e não apenas aos estudantes. Isso para que todos os candidatos tenham as chances iguais para ingressar na instituição.
A UnB, no entanto, encaminhou documento ao CNE em que defende a reserva de vagas do PAS para os estudantes. "As provas são elaboradas de acordo com a faixa etária dos alunos, de modo que alguém mais velho levaria vantagem", observou Moura. De acordo com o presidente do CNE, Éfrem Maranhão, o caso será analisado pela assessoria jurídica do Ministério da Educação (MEC). "Mas é preciso garantir a igualdade de oportunidades, como estabelece a Constituição", disse Maranhão.

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