Arapongas - Cerca de 200 integrantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) ocuparam ontem a praça de pedágio da Viapar, na BR-369, em Arapongas. A morte de uma menina de oito meses por desnutrição e a falta de infraestrutura no acampamento motivaram o protesto. Queriam também pressionar por reforma agrária.
O grupo chegou ao local por volta das 8h30 e permaneceu até às 16h30, ''expulsos'' pela chuva. Segundo funcionários da concessionária, os manifestantes teriam ocupado a praça de forma pacífica, abrindo em seguida as cancelas.
Crianças, jovens e adultos se acomodavam nas calçadas usando redes, cobertores e travesseiros. Animais de estimação também foram levados ao local. A ideia inicial era permanecer por mais dias.
Um dos líderes do grupo, Cláudio Fernandes disse que as famílias vivem em quatro áreas do Norte do Estado: Fazenda Santa Lima e Canaã, em Porecatu, e Itaverá e Palheta, no município de Alvorada do Sul.
''Conseguimos transportar todos em caminhões que fretamos. Queremos pressionar o Governo do Estado a agilizar o processo dessas terras, pois temos vivido de forma precária, sem condições nem mesmo de iniciar uma plantação'', disse.
Segundo Fernandes, o grupo tem informações de que as terras ocupadas são consideradas improdutivas, mas que impasses judiciais estariam atrasando o destino final das áreas. ''Mês passado uma menina de oito meses morreu desnutrida. Não estamos aguentando mais essa situação. Queremos uma vida mais digna'', enfatizou.
Os motoristas que passaram pela rodovia ficaram sem saber se podiam ou não passar pela praça de pedágio, sem fazer o pagamento da tarifa, que naquele ponto varia de R$ 5,30 para veículos e R$ 27 para carretas.
Naira Alves, moradora de Curitiba, que já estava com o dinheiro na mão para efetuar o pagamento, guardou a moeda ao falar com a reportagem. Para ela, a manifestação é válida. ''Acho que só quando o bolso de alguém é atingido que o Governo faz alguma coisa.''
De acordo com a Viapar, só naquela, praça cerca de 20 mil veículos trafegam por dia em média. Nos feriados o número aumenta entre 10% e 15%. A empresa não soube estimar o total de prejuízo ao longo das seis horas de protesto.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou em nota que ficou sabendo das reivindicações da Contag pela imprensa e que os processos de desapropriação das áreas em Alvorada do Sul e Porecatu estão em avaliação. O grupo deixou o local à tarde prometendo retornar em janeiro, caso não seja atendido.

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