20 estudantes libaneses feridos em bombardeio israelense
ARAB SALIM, Líbano, 16 (AE-AP) - Um disparo de artilharia feito de uma zona ocupada por Israel no sul do Líbano atingiu hoje (16) uma escola elementar, ferindo 20 crianças e assustando centenas que fugiram em busca de abrigo, disseram autoridades.
O ataque fez aumentar as tensões no último front ativo da guerra árabe-israelense um dia depois que Síria e Israel, protagonistas- chave no Líbano, retomaram negociações em Washington. Acredita-se que as conversações irão fazer crescer as chances de uma solução pacífica para o sul do Líbano.
A guerrilha do Hezbollah ameaçou retaliar o bombardeio.
"A resistência não irá esquecer esse sangue inocente", advertiu o xeque Abdul-Majid Ammar, um alto oficial do Hezbollah no sul do Líbano.
Na cidade nortista israelense de Kiryat Shemonah, abrigos subterrâneos foram abertos como precaução contra uma possível represália do Hezbollah e foi pedido aos pais para buscarem seus filhos nas escolas.
Autoridades de segurança libanesas, que pediram para não ser identificadas, disseram que uma bomba de morteiro de 120 mm atingiu a Escola Pública Elementar Arab Salim. Dois outros disparos atingiram arbustos próximos. Arab Salim fica a 7 km a nordeste da cidade mercantil de Nabatiyeh.
Em Israel, o exército informou que seus aliados milicianos do Exército do Sul do Líbano bombardearam a vila depois que seu posto avançado foi alvo de um ataque de artilharia de guerrilheiros na manhã de hoje. Segundo Israel, o ataque partiu de uma área residencial de Arab Salim.
"As Forças de Defesa de Israel não têm intenção de provocar uma escalada no sul do Líbano", afirmou um comunicado do exército israelense. "O ferimento de civis foi acidental. As FDI lamentam o ferimento de civis".
No passado, aviões de combate e a artilharia de Israel tinham bombardeado supostas bases guerrilheiras num vale nas proximidades de Arab Salim. Mas Israel e o ESL, assim como a guerrilha, têm geralmente tentado evitar atingir alvos civis em cumprimento de um entendimento de 1996 mediado pelos Estados Unidos.
A escola de três andares já havia sido atingida quatro vezes anteriormente, mais recentemente em maio último. A última vez que houve feridos na escola foi em 1991 - sete estudantes durante um bombardeio.
"Nós ouvimos o bombardeio mas não nos importamos. Isso faz parte de nosso dia-a-dia no sul", disse Ali Yussef Ibrahim, 11 anos, que foi ferido por estilhaços em várias partes do corpo, num hospital em Nabatiyeh.
Os 14 meninos e seis meninas, de nove a 15 anos, foram feridos por estilhaços da bomba. Pelo menos três estão em sérias condições, com ferimentos na cabeça e face, afirmaram autoridades no hospital. Outros sofreram ferimentos de estilhaços e cacos de vidro.
Os restantes 400 estudantes foram levados por professores para salas envolvidas com sacos de areia que são usadas como abrigo e posteriormente mandadas para casa.





