20% dos trabalhadores estão doentes
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sexta-feira, 02 de novembro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A indústria da carne no Brasil exportou em 2011 R$ 30 bilhões. Mas todo este dinheiro não foi suficiente para oferecer condições melhores de trabalho aos mais de 825 mil trabalhadores do ramo no País. Cerca de 165 mil estariam com problemas de saúde decorrentes da atividade.
Os trabalhadores dos frigoríficos brasileiros sofrem com baixos salários, péssimas condições de trabalho e doenças. ''O trabalho em frigoríficos no Brasil é análogo ao escravo'', ressalta Darci Pires da Rocha, coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA) para a região Sul do Brasil.
De acordo com a CNTA, três motivos dificultam o trabalho na indústria da carne: jornada longa, ritmo de trabalho acelerado e suportar várias horas sob temperaturas de até dez graus negativos nas câmaras frias. ''Temos pesquisas que apontam que 20% do total dos trabalhadores da área estão afastados por problemas de saúde, que surgem com o acúmulo destes três fatores'', frisou Rocha.
A Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo) reconhece que é preciso melhorar as condições de trabalho. ''A questão é como dar segurança e conforto aos trabalhadores e manter em alta a produção nacional. É uma equação difícil de se resolver'', admite o presidente da Abrafrigo, Péricles Salazar.
O salário médio de um trabalhador nas diversas regiões do Brasil fica em R$ 800. Dados da CNTA apontam que 3% dos trabalhadores ganham menos de um salário mínimo, 36% recebem até um salário e meio e 33% ganham até dois salários mínimos.
Há oito meses trabalhadores, industriais e governo federal têm discutido uma Norma Regulamentadora (NR) em busca de melhores condições de trabalho. A CNTA reivindica a redução da jornada de trabalho para 6 horas diárias, pausa de dez minutos a cada hora, intervalo de 20 minutos a cada três horas para alimentação e implementação de um salário-base nacional de R$ 1,2 mil. ''Concordamos com a pausa, mas não este tempo que eles querem e também somos contrários à redução da jornada de trabalho'', relatou o presidente da Abrafrigo.


