Curitiba - Vinte dias depois das fortes chuvas que provocaram uma das maiores tragédias dos últimos anos no Estado, a situação ainda não está normalizada nos municípios mais atingidos. Conforme a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, o número de afetados pelos temporais chegou a 822.800 em 156 cidades. Do total de 44.008 que ficaram desalojados, 26.420 permanecem na casa de parentes ou amigos. Já dos 6.143 desabrigados, 1.969 continuam em abrigos públicos.
Os temporais deixaram 11 mortos, 228 feridos, 15.062 casas danificadas e 105 totalmente destruídas. Em União da Vitória (Sul), o nível do Rio Iguaçu, que superou a marca de 8 metros na semana passada, já havia baixado para 6,59 metros. Ontem, no entanto, voltou a chover na região. "Ainda há muito trabalho, mas estamos tentando voltar à normalidade", declarou o chefe de gabinete da Prefeitura de União da Vitória, Antônio Oscar Nhoatto. Na cidade, 11.250 pessoas seguem desalojadas e 90, desabrigadas.
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração, decretou ontem estado de calamidade pública em União da Vitória e Bituruna (Sul). A medida agiliza o repasse de recursos federais. "Ainda estamos recebendo muitas doações porque em algumas regiões ainda há áreas alagadas. Já distribuímos 3,5 mil cestas básicas e recebemos 220 mil mudas de roupas, além de colchões e camas. Muitos empresários estão conseguindo avaliar as perdas somente agora. O prejuízo deve ultrapassar os R$ 100 milhões", completou Nhoatto.
Em Bituruna, 100 pessoas seguem desalojadas e 50 desabrigadas. Outros municípios bastante afetados são Chopinzinho, Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul, Rebouças, Rio Negro e São Mateus do Sul.
Segundo a Defesa Civil, a situação de emergência, reconhecida em 147 cidades paranaenses, deve permanecer em vigência por pelo menos 70 dias. "Agora estamos numa fase de recuperação e observamos que muitas famílias já voltaram para casa. Os trabalhos estão reforçados, e inclusive monitoramos a intensidade das chuvas que estão novamente chegando no Estado, pois a situação exige atenção redobrada", afirmou o capitão Eduardo Pinheiro.

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