2 mil paranaenses colocaram prótese irregular
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quarta-feira, 04 de janeiro de 2012
Davi Baldussi <br>Reportagem Local 
Londrina - Mais de 2 mil paranaenses compraram próteses mamárias de silicone PIP, cujo registro foi cancelado na segunda-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com informações do governo francês, as próteses da empresa francesa PIP (Poly Implant Prothese, já falida) se rompem com mais facilidade do que concorrentes. Foi detectado também no gel das próteses defeituosas um aditivo para combustível. Na França, cerca de 20 mulheres que usavam o implante da PIP tiveram câncer, mas não há prova concreta do vínculo entre a doença e o produto.
Em Londrina, de acordo com informações da Vigilância Sanitária, pelo menos 459 pessoas fizeram implante da PIP, em sete clínicas, até abril de 2010, data em que a Anvisa suspendeu a venda das próteses. Curitiba foi a cidade que mais comprou o produto: 1.507. Também foram registrados casos em Guarapuava (94), Cambé (12), Jandaia do Sul (10), Maringá (2) e Umuarama, onde não foi identificada a quantia exata ainda. Levantamento preliminar da Vigilância aponta 2.084 próteses comercializadas em todo o Estado.
A empresa que importava as próteses da França e distribuía no Brasil é a EMI, de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba). A reportagem buscou contato com a empresa, mas ninguém atendeu as ligações. A Anvisa determinou o recolhimento das próteses que ainda estão sob a guarda do importador brasileiro. Seriam 10.097 próteses. Outras 24.534 foram comercializadas no País.
O cirurgião plástico Ody Silveira Júnior realizou implante das próteses PIP em duas pacientes entre 2009 e 2010. ''Quando soube das informações em relação à prótese em 2010 examinei as duas pacientes, que decidiram trocar as próteses. Uma delas estava normal e outra já tinha um pequeno vazamento'', relatou.
De acordo com o cirurgião, uma das pacientes chegou a entrar em contato com a importadora das próteses para reembolsar o prejuízo, mas a resposta foi negativa. ''Eu não cobrei pela cirurgia. As pacientes pagaram por uma outra prótese e também pelos custos hospitalares'', contou Silveira.
De acordo com o chefe da Vigilância Sanitária no Paraná, a EMI distribuidora estaria atuando no País desde 2000. No dia 26 de dezembro e também dia 2 de janeiro fiscais da Vigilância foram até a empresa apreender o estoque de próteses, mas a EMI estava fechada.
Segundo Santana, a Vigilância está entrando em contato com todas as clínicas que compraram a prótese francesa para verificar o estado de saúde das pacientes. Até o momento não foi realizado nenhuma notificação apontando uma complicação à saúde por conta da prótese no Estado.
Ele adianta que ainda não há indícios de que a prótese tenha sido comercializada após a Anvisa decretar a suspensão das vendas em abril de 2010. ''Vamos levantar o estoque da empresa e ver se bate com o número que seria aproximadamente 10 mil. Se o produto não estiver lá, a empresa terá que indicar onde está e caso tenha ocorrido venda ela será autuada'', afirmou.


