17 acusados de extermínio aguardam júri em liberdade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Dezessete acusados de integrar suposto grupo de extermínio, ligado ao crime organizado, em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba, poderão aguardar júri popular em liberdade. Por maioria de votos, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, ontem, o habeas corpus em favor do policial militar Jean Adan Grott, sendo a decisão extensiva aos 16 co-réus, presos desde 2002. De acordo com o STF, os acusados poderiam ser soltos no final da tarde de ontem.
De acordo com denúncia do Ministério Público (MP) estadual, entre os crimes praticados, o grupo teria envolvimento na morte de, pelo menos, duas mulheres e de outros quatro rapazes, ocorrido em junho de 2000. Uma das vítimas teria relacionamento com a quadrilha. Os outros três teriam sido executados porque testemunharam a morte do colega. Os vários homicídios de mulheres ocorridos em Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul ganharam repercussão nacional e, segundo o MP informou à época, também teriam ligação com a quadrilha. Esses crimes, no entanto, não foram inseridos na denúncia.
''(...) É incompreensível que até aqui, passados tantos anos, não se tenha o julgamento da ação penal. O paciente (Jean Adan Grott) encontra-se preso, preventivamente -vale dizer, sem a culpa formada-, há quatro anos, cinco meses e quatorze dias, pouco importando a complexidade do processo (o envolvimento de 17 réus). Salta aos olhos o constrangimento ilegal, no que mantida a custódia'', argumentou o ministro relator, Marco Aurélio, quando deferiu a liminar, em 10 de outubro último.
Um dos advogados de Grott, Eduardo Ribeiro Caldas, disse que seu cliente foi preso no dia 21 de abril de 2002 e que estava, até ontem, detido no Batalhão de Guarda da Polícia Militar, em Curitiba. Ele não soube informar onde os demais réus estão presos.


