150 policiais participam de desocupação de fazenda
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quarta-feira, 02 de dezembro de 2009
Carolina Avansini e Silvana Leão<BR>Reportagem Local 
Faxinal Depois de 35 dias acampados na Fazenda São João, em Faxinal (Norte), um grupo de aproximadamente 40 trabalhadores sem terra ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) foi retirado da propriedade rural na manhã de ontem. A reintegração de posse, conforme a proprietária da fazenda, Perla Mozer, foi emitida no final de outubro e executada ontem, por volta das 8 horas, pela Polícia Militar (PM). A área possui 153 alqueires e concentra criação de gado e pequenos animais.
Funcionários da fazenda relataram que a retirada dos trabalhadores foi pacífica. Os próprios donos da propriedade contrataram um caminhão e um ônibus para levar os sem terra e seus pertences para casa de parentes. Segundo Perla, o grupo - composto principalmente por homens - tinha moradores de Faxinal e Mauá da Serra (Norte). Os barracos que tinham sido construídos na entrada da São João foram derrubados e incendiados por trabalhadores contratados pela fazendeira.
A desocupação foi feita por um contingente de 150 policiais militares de Faxinal, Apucarana, Londrina, Campo Mourão e Maringá. Segundo o tenente Eldison Martins do Prado, chefe da agência de inteligência do 10º Batalhão da Polícia Militar de Apucarana, não houve resistência. Ele informou que o número de soldados foi definido em função da expectativa de que mais pessoas reforçassem o grupo de invasores. Foi uma precaução da nossa parte, para não corrermos o risco de sermos surpreendidos. Até porque a fazenda fica distante 25 quilômetros da cidade e alguns trechos da estrada são ruins, o que dificultaria o acesso rápido de mais policiais, caso fosse necessário, justificou o tenente.
Perla contou que a ocupação foi violenta. Eles chegaram de madrugada e retiraram minha mãe e meu tio à força. Ficamos sem poder entrar na fazenda, denunciou, acrescentando que encontrou armas entre os pertences dos sem terra. Vamos entregar à polícia, disse. A família ainda não contabilizou os prejuízos, mas sentiu falta de oito carneiros, seis porcos e algumas cabeças de gado, além de gansos e galinhas. Uma árvore da espécie Pau DAlho foi cortada, de acordo com funcionários, para facilitar o monitoramento da estrada que leva à fazenda.
A FOLHA tentou ouvir um representante da Contag, mas o contato pelo celular não foi possível.
Na noite de anteontem 120 famílias do Movimento de Agricultores Sem Terra (Mast) ocuparam a Fazenda Tabapuã, em Centenário do Sul. A propriedade pertence ao Grupo Atala, proprietário da Usina Central, de Porecatu.


