Buenos Aires, 16 (AE) - Desde outubro do ano passado, 150 mil pessoas perderam seus empregos na Argentina. O anúncio, feito pela Sociedad de Estudios Laborales (SEL), indica que a crise brasileira já começa a ter efeitos no emprego no país.
A pesquisa, realizada na área metropolitana de Buenos Aires, onde concentra-se quase metade da população do país, sustenta que em fevereiro houve um aumento de 0,8% no desemprego em relação a janeiro. Em relação a outubro de 1998, quando foi feita a última medição do governo sobre o desemprego, o aumento teria sido de 3,4%.
Os principais setores atingidos pelo aumento do desemprego foram o da construção civil, com 29,3%; e da indústria de manufaturas, que teve uma queda no nível de emprego de 4,9%.
Além disso, tiveram quedas no nível de emprego os setores que mais criaram postos de trabalho em 1997 e 1998: comércio, hotelaria e restaurantes. Nesses segmentos, houve um crescimento de 1,9% no índice de desemprego. O setor financeiro também sentiu o efeito da crise, com um aumento de 1,1% no número de desempregados. O único setor que criou postos de trabalho foi o do transporte, que teve um aumento de 0,9% no número de empregados.
O diretor do SEL, Ernesto Kritz, afirmou que a tendência negativa iniciada em outubro continuará no semestre que vem. Segundo ele, o desemprego continuará aumentando em 1999, melhorando apenas no fim do ano. "É provável que a tendência do aumento do desemprego prolongue-se até o terceiro trimestre do ano". O secretário de Emprego, Héctor Gambarotta, declarou que o governo está preparando um programa especial para a criação de empregos a partir de abril. Para o governo, até a próxima medição sobre o nível de emprego no país, a ser anunciado em maio, o desemprego somente aumentará 1%.

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