Curitiba – Somente no ano passado, de acordo com o banco de dados do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) da Polícia Civil, foram registrados 254 ocorrências de desaparecimentos de crianças no Paraná. Todos os casos foram solucionados, entretanto, a gravidade das ocorrências em todo o País ainda deixa as autoridades em alerta.
Com a intenção de colocar o assunto em discussão e promover a divulgação de medidas de prevenção para médicos e a população em geral, o Conselho Federal de Medicina (CFM) promoveu ontem, no centro de Curitiba, um ato público que celebra a Semana Nacional de Mobilização para a Busca e Defesa da Criança Desaparecida. A ideia é ampliar a orientação de profissionais médicos para ficarem atentos sobre como observar as atitudes dos pequenos pacientes a fim de detectar algo fora do normal, como por exemplo, marcas físicas de violência, ou se a criança está com um comportamento assustado. Um novo ato também deve ser realizado nos próximos dias na Praça da Sé, no centro de São Paulo.
"O número de crianças desaparecidas é muito maior do que as pessoas imaginam. No Brasil são 15 por minuto, 50 mil por ano. Por isso é tão importante que os profissionais notifiquem qualquer tipo de violência observado. Nas consultas médicas é essencial identificar fatores de risco, como falta de afetividade e maus tratos", ressaltou Donizetti Giambernardino Filho, conselheiro do Estado no CFM.
Entre os 254 casos investigados no ano passado no Paraná, 155 (63,5%) foram de meninos com idade média de 11 anos. Ainda conforme o Sicride, as regiões Norte e Metropolitana de Curitiba foram as que concentraram o maior número de incidências de desaparecimento de crianças, com 64 e 47 casos, respectivamente. Em seguida aparecem a região Oeste, com 45 ocorrências; e Curitiba, com 30 casos.
De acordo com a delegada-titular do Sicride, Nilceia Ferraro, em geral, os boletins de ocorrência relacionados ao desaparecimento infantil são registrados por briga de guarda dos pais, quando um dos responsáveis foge com o filho e o outro aciona a polícia. Outros casos envolvem fuga por causa de violência doméstica ou para chamar a atenção dos pais. De acordo com ela, a polícia deve ser comunicada do desaparecimento assim que o responsável perceber que a criança sumiu, não sendo necessário esperar um período mínimo.
"Não existe um prazo para oferecer denúncia. Se a criança desapareceu imediatamente vá até a delegacia mais próxima para fazer o registro da ocorrência. Precisamos começar a trabalhar em rede, com outros órgãos, principalmente na área de saúde. Por isso estas iniciativas como a de hoje (ontem) são importantes", disse a delegada.

mockup