A primeira vez que um trem fez a ligação entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro foi em 1877, por uma maria-fumaça. O projeto foi do senador Cristiano Otoni, então presidente da Estrada de Ferro D. Pedro II, que insistiu muito para ver concretizado seu sonho de unir pelos trilhos a capital paulista à Corte.
Com a liberação dos recursos imperiais, a execução do trabalho exigiu bastante esforço dos operários. Na Serra do Mar, os operários tiveram de abrir 13 túneis, com ferramentas simples. A primeira viagem levou 15 horas e foi um sucesso. A inauguração do sistema contribuiu consideravelmente para o desenvolvimento das cidades ao longo do Vale do Paraíba.
Em 1950, entrou em circulação o Santa Cruz. Os mais velhos lembram com saudades daquele tempo e das paisagens absolutamente fantásticas que se tinha pelo caminho. Isso era possível porque no passado o trem tinha também saídas diurnas.
O Santa Cruz foi construído pela Budd Company dos Estados Unidos. Na década de 70, as composições passaram por reformas. E, em 1991 a Rede Ferroviária Federal resolveu suspender as viagens.
Em 1994, o sistema foi privatizado, modernizado e rebatizado. Foram gastos mais de US$ 5.000 milhões na época. Era a esperança que muitos alimentavam na modernização do transporte ferroviário. A empolgação demorou menos de quatro anos.
O Trem de Prata sinalizava um impulso na conquista de um sistema moderno, como os oferecidos em países de primeiro mundo. Muito se falou a respeito, mas na prática a história é outra. Nesta segunda-feira, pontualmente às 20h30, o apito do Trem de Prata soará pela última vez.

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