Recife, 22 (AE) - Cerca de 120 trabalhadores rurais sem-terra ocuparam hoje, as 8h, a prefeitura de Pesqueira, a 214 quilômetros do Recife, para reivindicar comida, lona e cadeira para a escola do acampamento na fazenda Jardim. A polícia cercou o local, mas não houve conflito. Os sem-terra, ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, deixaram o prédio por volta das 13 horas levando alimentos (feijão, arroz, macarrão, açúcar, café e fubá) doados pela prefeitura.
O prefeito Eutrópio Monteiro Leite (PSDB) não estava na cidade hoje. Foi o vice-prefeito, José Didier da Silva (PMDB), quem negociou com os sem-terra. Ele prometeu entregar, a partir da próxima semana, aos agricultores 200 metros de lona (para cobrir barracos do acampamento onde moram) e 200 cadeiras."Se a promessa não for cumprida, a gente volta", disse José Cavalcanti, coordenador do MST na região.
Os sem-terra que participaram da ocupação são do acampamento da fazenda Jardim, invadida em março último. A propriedade, com 5.000 hectares, está sendo vistoriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os te´cnicos vão verificar se a terraé produtiva.
Surpresa - Os sem-terra chegaram de surpresa e não encontraram resistência para invadir o prédio. Os funcionários foram para o lado de fora, enquanto eles prometiam só sair com as reivindicações atendidas. Os sem-terra estavam com um carro de som, em que fizeram discursos criticando o presidente Fernando Henrique Cardoso e exigiram reforma agrária. O automóvel, segundo o MST, foi obtido "com a doação de amigos". Mulheres e crianças participaram da invasão. Alguns dos homens estavam com foices e pedaços de madeira. "São instrumentos de trabalho", disse Cavalcanti.

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