Curitiba - Depois de quatro meses de vistorias, técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) constataram que 110 das 236 estações de tratamento de esgoto espalhas por 165 municípios do Paraná (46% do total), sob responsabilidade da Sanepar, estão em situação irregular. Entre os problemas verificados estão a operação sem licença adequada e o lançamento de resíduos em locais impróprios.
Conforme o Ibama, ao todo foram emitidos 219 autos de infração, que somam R$ 49 milhões em multas. Estas vistorias fazem parte da segunda fase da Operação Iguaçu - Água Grande. Desde setembro do ano passado, quando a operação foi desencadeada em parceria com a Polícia Federal (PF), o valor das multas aplicadas à Sanepar por causa das irregularidades constatadas já chega a R$ 205 milhões, segundo o órgão ambiental.
Na primeira etapa da operação, ainda em setembro, 30 pessoas da cúpula da companhia foram indiciadas por crimes ambientais. Na mesma época, a Justiça autorizou 30 mandados de busca e apreensão em 19 cidades do Estado (na sede em Curitiba, e em escritórios regionais da empresa no litoral e no interior).
O Ibama informou que as operações de fiscalização vão continuar nas estações e destacou que, caso os problemas não sejam solucionados, serão tomadas outras providências. "Mais do que os autos de infração que foram emitidos esperamos que os problemas verificados sejam solucionados rapidamente", ressaltou o superintendente do Ibama no Paraná, Jorge Augusto Callado. Ele informou que, além dos grandes centros urbanos, irregularidades foram encontradas em estações de todas as regiões, em especial naquelas da bacia do Rio Iguaçu. "A situação é preocupante. Conseguimos levantar a situação atual e agora é preciso mudar este quadro", completou.
Em nota oficial, a Sanepar afirmou que atende todos os parâmetros que a legislação ambiental estabelece e discorda dos critérios que vêm sendo adotados pelo Ibama na aplicação de multas. A Sanepar também destacou que tem protocolado as defesas administrativas correspondentes às autuações entregues, conforme os prazos estabelecidos, e aguarda a decisão administrativa do Ibama.
A empresa também ressaltou que "tem confiança nos parâmetros que adota e, caso as defesas não sejam acatadas pelo órgão, irá recorrer à Justiça para esclarecer a verdade, discutir a legalidade das multas e os prejuízos causados à imagem da empresa, que tem uma história de 50 anos".

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