O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgou nesta quarta-feira (8), o novo panorama da educação superior no Brasil. Os dados, correspondentes ao ano de 2015, mostram que 11,3% dos cursos de Ciências Sociais e Humanas e Tecnológicos – áreas escolhidas para esta edição da avaliação – tiveram resultados insatisfatórios no Conceito Preliminar de Curso (CPC). No Paraná, o índice é um pouco menor. Do total de 610 cursos avaliados, 9,1% ficaram com notas 1 e 2 na escala que varia de 1 a 5.

O Conceito Preliminar de Curso (CPC), avalia o desempenho dos estudantes no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), além de corpo docente, infraestrutura, recursos didático-pedagógicos e demais itens. O estudo mostra ainda que nos últimos anos, o número de cursos que não conseguiram atingir nota 3, o valor mínimo aceitável, se manteve estável. No Brasil apenas 1,2% deles conseguiram atingir a nota 5. No Paraná, apenas cinco cursos alcançaram a nota máxima. Desses, apenas um é de instituição pública: Administração da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unioeste), no campus de Irati.

Por outro lado, o índice de cursos ineficientes no Estado é maior nas privadas (10,44%) enquanto nas públicas é de 3,57%. Entre as universidades estaduais, 75 cursos foram avaliados e apenas dois deles tiveram notas insatisfatórias (2): Turismo e Ciências Econômicas, ambas do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), foram 10 cursos avaliados. Seis deles atingiram nota 4 e os outros quatro receberam nota 3.

Marinalva Calabez Rissi, chefe da Divisão de Diagnóstico e Desenvolvimento Institucional da UEL, comemorou os dados. Ela ressaltou que quatro cursos (Administração, Ciências Contábeis, Design Gráfico e Direito) receberam nota máxima (5) na avaliação do Enade. "Enquanto o Enade leva em conta o desempenho dos alunos nas provas, o CPC inclui outros quesitos que englobam a estrutura da instituição", explicou. "Isso mostra que o ensino foi bem avaliado, mas quando se leva em conta as condições de estrutura, ficamos um pouco abaixo. Para corrigir isso, é preciso que o governo invista mais nas universidades. É uma questão que foge à nossa competência", expôs.

O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, considerou "muito positivo" o desempenho das sete instituições estaduais de ensino superior na avaliação. "Tivemos muitos cursos com nota 4. Em todo o país, menos de 10% dos cursos conseguiram atingir essa nota. Das sete universidades, cinco foram avaliadas com nota 4. Apenas as duas mais novas, ainda em fase de consolidação, ficaram com média 3", disse, referindo-se a Unespar e a Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp).

Gomes disse que os dois cursos com nota 2 da Unespar vão ser monitorados. "Já estamos estudando os motivos que levaram esses cursos a destoar dos demais. Vamos realizar todos os trabalhos necessários para corrigir o que estiver errado", garantiu. O secretário enfatizou os investimentos feito nas universidades estaduais. "Nos últimos anos, dobramos o número de cursos de pós-graduação. Do total de cursos dessa modalidade ofertados no Paraná, 58% estão nas universidades estaduais".

Os dados compõem os Indicadores de Qualidade de Educação Superior que nesta edição analisou 8.121 cursos nas áreas de Ciências Sociais, Ciências Humanas e afins (como Administração, Ciências Contábeis, Direito e Psicologia) e cursos tecnológicos em Gestão de Negócios, Apoio Escolar, Lazer, Produção Cultural e Design (Como Comércio Exterior, Gestão Pública e Design Gráfico).

ENADE
Um em cada quatro cursos oferecidos em instituições públicas de ensino superior obteve uma classificação insatisfatória no Enade de 2015. Os cursos receberam pontuações nos níveis 1 e 2, de uma escala que vai até 5. Tiveram indicador 5, o maior, o equivalente a 8,9% dos cursos públicos avaliados. No Paraná, este índice ficou em 13%.

O Enade é feito a partir da análise de dois componentes: uma prova geral, com 10 questões, aplicada para alunos de cursos das áreas que estão sob avaliação. Há ainda uma prova de habilidades específicas, que varia de acordo com o curso. A média obtida pelos alunos na prova de formação geral em nenhum curso ultrapassou 60 pontos, de uma escala de 0 a 100. (Com Agência Estado)

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