100 mil vão às ruas contra reformas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de março de 2017
Magaléa Mazziotti e Viviani Costa<br>Reportagem Local
Cerca de 100 mil manifestantes, de acordo com os organizadores, foram às ruas em todo o Paraná nesta quarta-feira (15) para protestar contra as reformas da Previdência Social e trabalhista. A mobilização do Dia Nacional de Paralisação uniu diversas categorias profissionais. Os trabalhadores em educação no Estado iniciaram greve por tempo indeterminado.
Em Londrina, a Concha Acústica foi o ponto de encontro dos manifestantes que vestiram roupas pretas e demonstraram descontentamento com o governo federal. A paralisação reuniu servidores públicos, profissionais da educação, trabalhadores rodoviários, metalúrgicos, funcionários de empresas da construção civil, vigilantes e representantes de sindicatos e movimentos sociais.
Para a presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Regina Cruz, a participação da população superou a expectativa dos organizadores no Paraná. Segundo ela, mais de 50 mil pessoas estiveram na manifestação realizada na capital. "Estamos pressionando o governo, fazendo audiências públicas, cobrando posicionamento de vereadores, prefeitos, deputados federais e estaduais. Nossa luta é para que a reforma pare. Não concordamos com isso. Não é uma reforma é um desmonte da previdência", defendeu.
Mesmo diante de um impasse judicial, os ônibus do transporte coletivo urbano e metropolitano de Londrina deixaram de circular até as 10 horas. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), o serviço foi paralisado às 4h30. O presidente do sindicato, João Batista da Silva, avaliou como positivo o envolvimento da categoria. "A concentração na Concha Acústica foi surpreendente. A passeata pelo Calçadão reuniu quase 9 mil pessoas. Tivemos uma receptividade dos lojistas também. Valeu muito a pena", afirmou.
Conforme o sindicato, aproximadamente, 200 mil passageiros utilizam o transporte público todos os dias. Durante a manhã desta quarta, em meio à manifestação, o sindicato dos trabalhadores conseguiu reduzir o valor da multa fixada pela Justiça do Trabalho. Em vez de R$ 200 mil, em razão da interrupção do serviço, o valor caiu para R$ 50 mil. Conforme a decisão, pelo menos metade dos ônibus deveria ter circulado nos horários de pico. "Vamos tentar reverter essa decisão por completo. Acreditamos que não vamos ter que pagar multa", disse o presidente do Sinttrol.
A assessoria do Sindicato das Empresas de Ônibus Urbanos e Metropolitanos de Londrina (Metrolon) informou que todas as informações referentes ao protesto foram encaminhadas para análise da assessoria jurídica para verificar quais medidas poderão ser adotadas.
Os terminais de ônibus permaneceram praticamente vazios durante a manhã. Os trabalhadores aguardaram por carona, transportes oferecidos pelas próprias empresas e fizeram uso de serviços como táxis, mototáxis e Uber. O estudante Rômulo Silva chegou ao Terminal Central vindo de Ibiporã por volta das 6h30. Uma hora depois, ainda esperava um ônibus que o levasse para a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele precisava resolver questões relacionadas a vaga no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério da Educação. "Vou ter que ligar para alguém vir me buscar porque preciso ir para UEL", comentou o estudante. Ele soube da greve ainda na noite de terça-feira (14), mas decidiu arriscar a vinda para Londrina assim mesmo. "Pelo direito de aposentadoria está certo fazer essa manifestação, mas prejudica um pouco a população, principalmente, a falta de transporte público. Mas pelo bem maior ainda vale a greve", opinou.
Funcionários dos Correios estenderam a paralisação por 24 horas e a entrega de cartas e encomendas só deve ser retomada nesta quinta-feira (16). Conforme o secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom), Marcos Rogério Inocêncio, mais de 600 profissionais da categoria pararam em Curitiba. "Os trabalhadores têm que participar. Estamos falando da nossa aposentadoria. Se a população ficar parada, o governo fará outras medidas mais prejudiciais como a reforma trabalhista", destacou.
A Arquidiocese de Londrina divulgou nota para manifestar "apoio e solidariedade a toda e qualquer iniciativa que se oponha a esta proposta de reforma da Previdência". Entre as mudanças propostas criticadas estão a mudança de idade mínima para aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres e a extinção da aposentadoria especial para professoras e professores da educação básica e para trabalhadoras e trabalhadores rurais.
Em Curitiba, 50 mil manifestantes, de acordo com a CUT, e 7 mil pelos números da Polícia Militar, aderiram ao movimento. A Praça Santos Andrade foi o ponto de partida de diversas centrais sindicais que se mobilizaram para a paralisação nacional. A marcha seguiu até o Centro Cívico. Os educadores da rede municipal de ensino e os motoristas e cobradores do transporte coletivo da capital iniciaram paralisação pro tempo indeterminado. O protesto terminou com um grande ato em frente ao Palácio Iguaçu e à Assembleia Legislativa, onde foi colocada uma faixa que os manifestantes deixaram as marcas das mãos com tinta vermelha.(Colaborou Rafael Machado/Grupo Folha)
Governo diz que vai descontar dias parados
Reunião entre representantes do governo do Estado e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) sobre a paralisação por tempo indeterminado, iniciada nesta quarta-feira, terminou sem acordo. Segundo informações da assessoria de imprensa da Casa Civil, os representantes do governo reforçaram que o Estado vai descontar os dias parados dos salários dos professores e funcionários. A medida só poderia ser revista caso as aulas fossem retomadas imediatamente.
Durante a reunião, conforme a assessoria, o governo sinalizou a possibilidade de antecipar o pagamento das progressões e promoções dos trabalhadores previsto para o mês de julho e ainda discutir algumas divergências relacionadas à resolução que alterou os critérios para a distribuição de aulas e a hora-atividade dos docentes.
O secretário de comunicação da APP-Sindicato, Luiz Fernando Rodrigues, destacou que a greve está mantida por tempo indeterminado. "O governo não pagou a reposição da data-base em janeiro porque iria quitar os atrasados [progressões e promoções] desde 2015. A APP calcula que esse débito com os servidores esteja em torno de R$ 500 milhões", afirmou.
O presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, frisou que a pauta de reivindicações da categoria não inclui nenhum benefício novo. "Não estamos cobrando direitos novos, estamos lutando pela manutenção de direitos. O Paraná possui toda a condição de atender a nossa pauta, mas está fazendo o contrário, sem resolver os itens principais", disparou Leão. Segundo ele, a adesão à greve ultrapassou 80% em todo o Estado. Já para Secretaria de Estado da Educação (Seed), pouco mais da metade das escolas foi afetada pela paralisação parcial ou total.
Em Curitiba, os educadores da rede municipal de ensino também entraram em greve por tempo indeterminado. Pelos dados do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), 140 escolas ficaram fechadas. Segundo a Prefeitura de Curitiba, 58% das 391 escolas e creches municipais funcionaram total ou parcialmente.(M.M. e V.C.)