. OBRIGADA Emissões globais de carbono diminuem, aponta estudo
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segunda-feira, 26 de julho de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 27 (AE) - As emissões globais de carbono resultantes da queima de combustíveis fósseis caíram 0,5% em 1998, totalizando 6,32 bilhões de toneladas, de acordo com os últimos estudos do WorldWatch Institute, instituição independente com sede em Washington, nos Estados Unidos. É a primeira queda real do principal gás do efeito estufa, que não está vinculada a crises do setor petroleiro (como nos anos 70), nem graves crises econômicas (como a falência generalizada da Europa do Leste, no início dos anos 90). Ao contrário, a queda nas emissões de carbono, desta vez, vem acompanhada do crescimento econômico nos países europeus - com destaque para Inglaterra e Alemanha - no Japão e na China, os maiores responsáveis pela reversão da tendência.
Christopher Flavin, do WorldWatch Institute, explica que o declínio das emissões, frente a uma expansão de 2,5% na economia mundial, acaba com os argumentos de que reduzir emissões pode trazer prejuízos econômicos. "É um sinal de que talvez não seja tão difícil desacelerar o aquecimento global, conforme o Protocolo de Kyoto, como assumiram alguns grupos industriais", diz o estudo. "Ainda assim", adverte Flavin, "não sabemos quanto esta nova tendência vai durar". Mas as perspectivas são animadoras.
Mesmo em países onde não houve propriamente queda, como nos Estados Unidos e Índia, o ritmo de aumento das emissões diminuiu drasticamente, evidenciando a mesma tendência e a mesma desvinculação de crescimento econômico e emissões de carbono. Nos EUA, o total de emissões de 1998 chegou a 1,46 bilhões de toneladas ou 23% do total mundial. A diferença em relação a 1997
porém, é de apenas 0,4%, enquanto a diferença em relação a 1990 é de 10,3%, o que dá uma média anual de 1,2% aproximadamente. Na Índia, responsável pela emissão de 276 milhões de toneladas de carbono em 1998, as mesmas comparações levam a uma diferença de apenas 1,8% em relação a 1997, enquanto a comparação com 1990 leva a uma diferença de 55,2% ou, seja, uma média anual anterior de 6,9%.
O aumento da eficiência energética, com redução de desperdícios, e a substituição parcial do carvão mineral nas termoelétricas estão por trás das maiores reduções nas emissões. Ambas estão associadas a mudanças nos padrões de eficiência energética exigidos por leis nacionais e acordos internacionais e ao fim de subsídios governamentais. Só na China, o corte de subsídios ao uso do carvão foi de 14 bilhões de dólares, certamente um fator decisivo para a queda de 3,7% nas emissões, no mesmo ano em que a economia chinesa cresceu 7,2%. Por outro lado, vale ressaltar que os maiores crescimentos econômicos registrados ocorreram nos setores de serviços e de informação, que não são grandes consumidores de energia.
Contrariando projeções anteriores, a operação de toda a Internet e seus incontáveis serviços globais, por exemplo, consome menos energia do que uma cidade como Nova York. Em compensação, as indústrias altamente consumidoras de energia - como a do aço - tiveram ritmo reduzido de crescimento. Europa - O estudo do WorldWatch destaca, ainda, o fato das emissões da Europa do Leste continuarem declinando, quase uma década depois de sua transformação econômica. As emissões na Polônia caíram 9,7% em 1998, enquanto a economia cresceu 6%. E na Rússia, responsável por 400 milhões de toneladas de carbono emitidas em 1998, as emissões ainda estão 24% abaixo do nível de 1991.


