Nem todas as causas da obesidade foram explicadas pela ciência. O que se sabe hoje, segundo a nutricionista Mikaela Somomura, de Londrina, é que a doença está ligada a diversos fatores - fisiológicos, químicos, metabólicos, genéticos e comportamentais.
Por conta disso é que a melhor maneira de se conquistar uma vida saudável é, além da atividade física, fazer a reeducação alimentar, sempre respeitando o indivíduo, suas preferências e sua cultura. ''Não se pode esquecer que a pessoa é um todo, e que o alimento é fonte de prazer. Por isso, não é preciso se privar ou viver com proibições. Hoje existem maneiras de preparar o alimento que o deixam mais saudável, assim como há outras não adequadas'', explica Mikaela. Ela lembra que a boa alimentação funciona como prevenção de doenças, assim como a atividade física, mas um não substitui o outro. ''Não é porque a pessoa faz exercício que vai 'compensar' na alimentação'', ressalta.
A nutricionista explica que alguns alimentos, como a gordura trans, presente nos industrializados, danificam células, artérias e tecidos, e o que acontece internamente pode não estar aparecendo na estética. ''Não é porque a pessoa é magra ou gorda que o colesterol é alto ou baixo. Às vezes a pessoa tem um peso adequado, mas não sabe o que está acontecendo internamente'', avalia.
A falta de algumas substâncias e nutrientes na alimentação também colabora para alguns ''probleminhas'' que incomodam, mas que muitos acabam achando ''normal'' e convivendo com isso. Por exemplo, a obstipação intestinal, conhecida como prisão de ventre, que pode ser causada por falta de ingestão de fibras presentes em frutas, verduras e legumes. Ou, caso da enxaqueca, muitas vezes causada pelo excesso de café, chocolate e alimentos gordurosos na alimentação.
A nutricionista lembra ainda que o número de células do organismo é formado na infância e esse número não aumenta ou diminui, o que muda é o tamanho da célula quando a criança cresce. Daí a importância da prevenção da obesidade na infância - para que o indivíduo não tenha um grande número de células adiposas. ''Quando a pessoa emagrece, as células adiposas diminuem de tamanho, mas elas ainda estão lá e podem voltar a crescer'', explica.(C.P.)

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