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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio de Janeiro, 29 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico recebeu hoje novas denúncias contra a deputada estadual Núbia Cozzolino (PTB). O policial militar reformado Dejair Corrêa, que prestou depoimento na sede da Polícia Federal, entregou aos integrantes da CPI três fitas cassetes nas quais, segundo ele, a deputada seria acusada de acobertar ações ilegais praticadas por seus assessores e tentar prejudicá-lo.
Corrêa foi o responsável pela divulgação, no início do mês, de uma fita que apontava a ligação de Núbia com o tráfico. A fita, cuja veracidade é questionada pela deputada, mostra um suposto diálogo entre o ex-motorista de Núbia, Geraldo Cabral, e o traficante Rogério Marcos Souza, o Dinho.
A primeira das três gravações entregues hoje à CPI reproduziria a conversa do PM reformado com Cabral. "Quando ele me procurou para dizer que ia gravar a fita com o Dinho, eu registrei tudo", contou.
A segunda fita levada hoje por Corrêa registra, segundo o policial, o depoimento do PM Ledir Malinovsky, que também prestou depoimento hoje à noite. Segundo Corrêa, Malinovsky conta como ajudou Núbia a forjar um falso atentado contra ela mesma durante a campanha política de 1996, jogando a culpa em seus adversários políticos. Em seu depoimento, ele Malinovsky confirmou que o atentado foi um a farsa.
A terceira fita é um depoimento da ex-mulher de Corrêa, Janaina da Silva Correa. "Núbia procurou minha ex-mulher e ofereceu a ela um bom emprego em troca de informações que pudessem me prejudicar", disse. Os deputados da CPI que participavam do interrogatório, no entanto, não conseguiram colocar um trecho das fitas para ser ouvido por causa da má qualidade da gravação.
Embora não tenha sido convocada a depor, Núbia esteve hoje na Superintendência da Polícia Federal. "Dejair já foi processado duas vezes por homicídio", afirmou a deputada. "A CPI deveria investigar quem é esse sujeito." O PM reformado confirmou os dois processos, mas garantiu que foi absolvido das duas acuasações. A faxineira Maria Letícia Almeida também esteve na PF para levar acusações contra Dejair.
Ela contou ter sido testemunha de um assassinato praticado pelo PM. "Para que eu não contasse nada, ele deu sumiço na minha filha de dois anos", disse, aos prantos. O depoimento de Maria foi tomado pela polícia e encaminhado à CPI.
"Dejair é um matador conhecido, que faz parte de grupo de extermínio." O assessor de imprensa da prefeitura de Magé, Eliseu Pires, também foi ouvido pela CPI. Ele encaminhou denúncias de desvio de dinheiro do Sistema Único de Saúde que teria ocorrido na época em que a família de Núbia ocupava cargos importantes no município. Estava previsto ainda o depoimento de outras cinco pessoas relacionadas às denúncias contra Núbia. "Estamos tomando esses depoimentos prévios para avaliar o que é realmente pertinente", afirmou a deputada federal Laura Carneiro (PFL-RJ), sub-relatora da CPI.
O vendedor de automóveis Cláudio de Sá Neves, o Cláudio Carioca, apontado pela polícia como integrante da quadrilha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, também prestou depoimento à CPI. Ele negou com o narcotráfico e garantiu que sequer conhece Beira-Mar.
Após tomar ao depoimento de Corrêa, os deputados decidiram fazer uma acareação entre Corrêa e o ex-motorista de Núbia, Geraldo Cabral. Ele confirmou ter participado da gravação da fita.
Declarou que recebeu Corrêa ofereceu R$ 3.000 e um emprego na Prefeitura de Magé para que ele fizesse a gravação da fita. Segundo Cabral, Corrêa teria dito que a gravação era para fazer uma "brincadeira" com Renato Antello Medeiros (ex-assessor de Núbia). De acordo com Cabral, Corrêa não pagou os R$ 3.000 e nem arranjou o emprego.
Depois de uma hora de acareação, os deputados chamaram Edson Santos, que também teria participado da gravação da fita. Edson jurou que não saber que "havia mais coisa por trás da brincadeira". Também afirmou desconhecer que o envolvimento de Corrêa na história. "Se soubesse, não teria feito, porque saberia que era algo mais grave."
Para a deputada Laura Carneira, a acareação, que durou 2h10, provou que as versões encontradas por Corrêa e de Cabral para o episódio da fita são diferentes. "Alguém está mentindo", disse a deputada. Para ela, o fato só ficará esclarecido após a análise das fitas, já encaminhadas para Universidade de Campinas.


