PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Flávio Mello 
Rio Branco, 29 (AE) - Um revólver calibre 38, que pode ter sido usado no assassinato de Agílson Santos Firmino, o Baiano, foi entregue hoje ao Ministério Público Estadual (MPE) e poderá ajudar no eclarecimento de um dos crimes hediondos atribuídos ao grupo de extermínio, supostamente liderado pelo ex-deputado federal Hildebrando Pascoal.
A arma foi entregue por um homem, cuja identidade está sendo mantida em sigilo por motivo de segurança, será submetida a exame de balística para ver se os projéteis encontrados no corpo de baiano foram disparados por esse revólver.
Em conversas reservadas, essa arma seria de um assessor de um deputado estadual, foi vendida para um policial civil que está preso e teria sido emprestada para o pistoleiro Raimundo Alves Barros, o Raimundinho, que integrava o grupo de extermínio. Os nomes não foram revelados porque dependem de novas investigações.
Baiano foi encontrado morto em frente de uma emissora de televisão local em julho de 1996. O assassinato ocorreu porque a vítima não revelou para o grupo de extermínio e a família Pascoal o paradeiro de José Hugo, que assassinou a tiros o terceiro sargento da Polícia Militar (PM) Itamar Pascoal, irmão de Hildebrando.
De acordo com as testemunhas ouvidas pelo MPE, Baiano foi torturado antes de ser executado. Ele teria sido imolado com uma faca, teve os braços e as pernas cortados supostamente por uma motosserra, o pênis amputado e olhos furados.
Os laudos pericial e cadavérico de Baiano, entretanto, não confirmaram o uso da motoserrra e revelaram que existem contradições nas informações sustentadas pelo MPE.
O promotor Eliseu Buchemeir já havia afirmado que pode pedir a exumação do corpo de Baiano para sanar eventuais dúvidas, mas adiantou que, diante da existência do cadáver, o instrumento utilizado para a amputação dos membros é secundário.
A defesa do ex-deputado provavelmente usará essas contradições para tentar lançar dúvidas em relação às testemunhas de acusação. O advogado Oscar Luchesi, encarregado de defender Pascoal, apresentou semana passada uma suposta vítima de seu cliente que está viva, Márcio Cleide José de Lima.
A estratégia da defesa de Pascoal provocou um confusão na cidade e a Polícia Federal (PF) autorizou uma das principais testemunhas de acusação no processo de narcotráfico, Irineu José Lima, a dar entrevista coletiva.
Apesar de inseguro nos detalhes, Lima explicou que o seu irmão que teria sido morto a mando de Hildebrando chamava-se Márcio Pinto Saraiva e seu irmão por parte de pai, que casou três vezes.
Habeas-corpus - O Tribunal de Justiça do Estado pediu hoje informações ao MPE, a partir do pedido de habeas-corpus impetrado pelo advogado de Shelton Magalhães, filho do ex-governador Romildo Magalhães, Euclides Bastos. O pedido não havia sido julgado até o início da noite de hoje.
Bastos entrou com o recurso para impedir a prisão preventiva de Shelton, que é acusado de ter assassinado o assaltante Hélio Pinguim. Ele confessou ser o responsável pela morte de Romildo Magalhães Filho, um outro filho do ex-governador, depois de assaltar o Haras Cinco Irmãos, de propriedade da família.
No primeiro depoimento ocorrido semana passada, que acabou sendo transformado em uma conversa quase informal, Shelton negou a acusação.
O MPE fez uma proposta, na qual Shelton responderia o processo em liberdade e teria redução de até dois terços da pena, em caso de eventual condenação se confessasse o crime e concordasse em colaborar com as investigações.
Como adiantou a Agência Estado, Shelton não compareceu hoje ao MPE. Bastos disse não acreditar que a Justiça conceda a prisão preventiva de seu cliente, porque o cadáver nem sequer existe oficialmente.
A suposta ossada de Pinguim teria sido encontrada num cemitério clandestino no bairro do Calafati, a cerca de 20 quilômetros da capital. O local foi indicado por Raimundinho, o pistoleiro que é uma das testemunhas de acusação contra Pascoal.
Apesar de a ossada ter sido localizada no local indicado, a identidade ainda não foi confirmada porque o MPE não conseguiu localizar a família da suposta vítima para comparar o teste de DNA. Tecnicamente, o corpo não existe oficialmente.
Apreensão - Mais de nove quilos de pasta base de cocaína, que supostamente seriam transformados em crack e levados para Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foram apreendidos com o taxista João Grilo.
Há suspeita de que a droga, vinda da Bolívia, teria sido transportada para a capital por dois soldados do Exército local, mas a PF não comenta o assunto por causa do sigilo de Justiça.


