Brasília, 29 (AE) - A CPI do Narcotráfico encontrou uma lista de nomes, que seriam de policiais de Campinas, em disquete apreendido no escritório do advogado Arthur Eugênio Mathias, no dia 15. Os parlamentares acreditam que os nomes, seguidos de valores, são indicação de um esquema de corrupção policial, envolvendo tráfico de drogas. Os policiais citados deverão ser chamados a depor na CPI. A lista menciona pagamentos de R$ 100 a R$ 3.000,00.
Há referências de pagamentos a "Ricardo", "Ronaldo", "Ibrahim", "Messias", "Agostinho", "Osmar", "Sandro", "Douglas", "Pedroso", "Borges" e "Sobrinho". Há ainda referências a delegacias de Campinas, como "Capturas", "DIJ" e "DDM". A CPI já descobriu que um destes supostos policiais morreu de forma suspeita.
Os parlamentares da comissão acreditam que o disquete poderá comprovar as ligações entre o narcotráfico e policiais corruptos, conforme denúncias que já tinham sido feitas em Campinas. "Há vários policiais na lista", disse o presidente da CPI, Magno Malta (PPB-ES).
A CPI deverá convocar Arthur Eugênio Mathias novamente, para esclarecer informações contidas no disquete. Os parlamentares acham que foi um erro a Justiça soltar Mathias. No dia da prisão do advogado, um membro do Ministério Público teria dito aos parlamentares da CPI: "Vocês prendem o advogado hoje e na próxima semana o desembargador solta ele." Seria, segundo os parlamentares, uma referência ao desembargador Djalma Rubens Lofrano, que realmente soltou o advogado e ainda fez críticas à CPI.
Equívocos - O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse no final da semana passada que colocaria em votação uma representação a ser enviada ao TJ em Campinas para convocar o desembargador Lofrano a dar explicações sobre a soltura do advogado. Na avaliação do parlamentar, há "equívocos" na decisão de Lofrano. Segundo Moroni, a CPI não agiu "de forma arbitrária", pois a prisão foi solicitada pelo juiz corregedor, que despachou na Corregedoria, depois de ficar duas horas ouvindo as fitas do depoimento.
Os parlamentares da CPI estão convictos de que Mathias é um dos líderes da quadrilha de William Sozza. Em um depoimento secreto à CPI, Sozza disse que tem "medo" de Mathias. Os parlamentares estão convictos de que o traficante Aryzolin Trindade Sobrinho estava falando a verdade quando revelou que ajudou Mathias e Sozza a buscar 120 quilos de cocaína no Rio Grande do Sul.
Magno Malta disse que, se necessário, vai realizar uma acareação entre Mathias, o motorista Jorge Meres, que denunciou o esquema de Sozza, e Aryzolin.

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