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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 29 (AE) - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse hoje, num longo discurso feito da tribuna, que a demissão do diretor de Fiscalização do Banco Central, Luiz Carlos Alvarez
não encerra a polêmica provocada pelas suas críticas ao relatório final da CPI dos Bancos, cabendo agora à instituição explicar os números examinados pelos senadores durante a investigação. "Não quero discutir lixo, macaco ou laranja", afirmou.
"Quero é discutir os números do relatório da comissão com os números do Banco Central". Simon informou que, ainda na sexta-feira, deu entrada a um requerimento convocando Luiz Carlos Alvarez para depor. Hoje ele também pediu o comparecimento do presidente do BC, Armínio Fraga, em data a ser marcada. Os dois deverão prestar esclarecimentos à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), já que terminou o prazo de funcionamento da CPI. Os requerimentos serão votados na semana que vem.
Para o senador, o presidente Fernando Henrique foi enganado pelos diretores do Banco Central, que teriam lhe ocultado o gastos de cerca de R$ 14 bilhões das reservas bancárias para socorrer bancos falidos, além dos R$ 22 bilhões gastos com o Proer. Simon considerou "absolutamente ridículas" as afirmações de Alvarez, de que o relatório da CPI foi elaborado por pessoas sem conhecimento do sistema financeiro. Segundo ele, um "alto funcionário de carreira do banco, recentemente aposentado", atuou como consultor independente no preparo do relatório. "O Senado deve à independência e seriedade desse especialista a maior parte das acusações apresentadas por essa CPI ao Ministério Público", afirmou.
O senador condenou "o comportamento prepotente do ex-diretor do BC, que não teria sido tão absurdo se partisse de um funcionário competente" Para Simon, se Luiz Carlos Alvarez fosse eficiente como acredita ser, não teria comandado o departamento que permitiu que o Banco Nacional tivesse 750 contas fantasmas durante 10 anos. "Se ele fosse meu funcionário
há muito tempo eu o teria demitido do cargo que ocupou, não pela entrevista em que chamou de lixo o relatório, mas por pura incompetência", ironizou, ainda, o senador Pedro Simon.


