Rio, 29 (AE) - A platéia atenta, formada essencialmente por tucanos, interrompeu poucas vezes o discurso do presidente com aplausos. Uma delas foi quando Fernando Henrique criticou a participação do mercado financeiro na condução da economia. "O mercado financeiro põe o sarrafo cada vez mais alto, mas deixa pra lá", desdenhou. "Eles que ponham o sarrafo onde quiserem, temos é de cuidar do crescimento do Brasil."
Pela primeira vez, o presidente admitiu ter mudado a política econômica para evitar atrair o capital de curto prazo. "Hoje, sabemos que temos de contar muito mais com o esforço de capital produtivo nosso", comentou. E voltou a criticar a forma de condução das reformas. "Vamos acabar com essa coisa de dizer que, se não fizer tal reforma, o mundo cai", disse. "O Brasil está sólido e, agora, é tratar de baixar a taxa de juros e crescer."
Pela manhã, na Escola Superior de Guerra, ele afirmara que a crise na Rússia, com a moratória de agosto de 1998, obrigou o Brasil a um processo de desvalorização da moeda. "Não era alguma coisa que estivesse em nossos propósitos", ressaltou.





