Brasília, 29 (AE) - Relatório da Superintendência da Polícia Federal no Amazonas, encaminhado ao Senado, afirma que o embaixador do Suriname no Brasil, Rupert Lawrence Christopher, teria envolvimento na morte de um guarda-costas do líder do comando da selva, Ronnie Brunswijk, em março de 1990. O documento da PF, feito em maio deste ano informa também que Christopher teria sido ministro da Defesa de Desi Bouterse, o ex-ditador do Suriname acusado de tráfico de drogas.
O documento da PF do Amazonas foi enviado para a direção-geral da instituição para justificar uma declaração do delegado Mauro Spósito sobre a ligação de Christopher com Bouterse. Conforme o relatório, o embaixador foi um dos principais assessores do ex-ditador, com Melvin Frank Linscheer e Carlos Karg Mencke. Entretanto, não faz nenhuma referência sobre seu envolvimento com o narcotráfico, objeto de investigação da CPI do Narcotráfico.
O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse que o embaixador foi convidado e se recusou a comparecer à CPI, para responder a suspeitas de envolvimento com pessoas ligadas ao tráfico de drogas, em seu país.
Para justificar a vinculação de Christopher com Bouterse, o documento da PF tem em anexo a tradução do livro escrito por Fritz Hirschland, na qual narra a morte de um guarda-costa do líder guerrilheiro. A vítima, conforme o autor, foi morto à queima-roupa, quando a vítima estava desarmada. O fato teria ocorrido no quartel das Forças Armadas do Exército do Suriname, no final do mês de março de 1990, conforme o livro.
Conforme o livro, a testemunha do caso teria sido o ex-policial Ro Reingoud que fugiu em seguida para a Guiana e depois para a Holanda, onde contou a história para as autoridades locais. O autor do livro viveu vários anos no Suriname e também narra fatos relacionados ao tráfico de drogas.
As declarações de Spósito, feitas no dia 16 de abril deste ano, causaram mal estar tanto na diplomacia brasileira quanto do Suriname. A embaixada do país no Brasil, na ocasião, divulgou uma nota negando todas as acusações. Conforme o comunicado, as declarações feitas pelo delegado da PF foram consideradas como "ato negativo e bastante descortês". O delegado está proibido pela direção da PF de dar declarações sobre o assunto.
A senadora Marina Silva (PT-AC) chegou a pedir informações ao Ministério da Justiça sobre o caso, já que a Comissão de Assuntos Sociais do Senado estava analisando um pedido de refinanciamento da dívida de US$ 58,8 milhões do Suriname com o Brasil. A senadora recebeu o mesmo documento da PF e o processo sobre as dívidas está parado desde agosto sem perspectivas de votação.
As declarações do delegado da PF foram dadas durante uma entrevista na televisão, onde já relacionava o Suriname como nova rota do tráfico de drogas, mas apenas ressaltava que Christopher tinha laços de amizade com Buterse. As afirmações de Spósito foram confirmadas há duas semanas, quando a Polícia Federal apreendeu no sul do Pará e Goiás, uma quadrilha de traficantes que utilizava o Suriname e Guiana Francesa como alternativas de tráfico da cocaína colombiana.

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