Teresina, 29 (AE) - O coronel José Viriato Correia Lima, chefe do crime organizado no Piauí, foi transferido hoje para Brasília, onde deverá ficar preso num quartel da PM do Distrito Federal. Viriato será ouvido amanhã (30) à tarde pela CPI do Narcotráfico, que quer saber quais as ligações dele com o ex-deputado Hildebrando Pascoal e com o ex-deputado estadual José Geraldo, do Maranhão.
Viriato foi recambiado para Brasília num avião da Polícia Federal, às 11h10. Com ele, seguiu o delegado José Wilson Torres
segundo homem na hierarquia do crime organizado. Torres ficará preso em uma delegacia da Polícia Civil de Brasília. A remoção dos dois e o cumprimento dos mandados de prisão em Brasília foi determinada pelo juiz federal Rui Costa Gonçalves.
O delegado Aírton Franco, responsável pelos inquéritos sobre desvio de recursos públicos com notas fiscais falsificadas, afirmou que a saída de Viriato e Torres de Teresina "cria um clima favorável às investigações". Franco diz que agora as testemunhas não vão mais se sentir coagidas pela presença dos dois acusados, que hoje, pela primeira vez desde que estão presos, foram algemados.
Também hoje a Justiça Federal determinou a prisão do prefeito de Jaicós, Antônio Crisanto Neto (PPB). Na semana passada, o Tribunal de Justiça do Estado decidiu cassar o mandato e prender Crisanto, que fugiu para não ser preso. Os jornais de Teresina estão proibidos de noticiar as decisões judiciais contra Crisanto e todos os prefeitos suspeitos ou acusados de corrupção. O juiz Francisco Braz acatou liminar da Associação de Municípios para censurar os jornais, proibindo a divulgação dos nomes de prefeitos sob investigação.
A PF está encontrando dificuldades para investigar o uso de notas fiscais frias pelos prefeitos. A maioria dos documentos enviados pelo TCE à Superintendência da Polícia Federal não tem relação com os crimes. As notas falsificadas ou clonadas pela quadrilha de Viriato e Torres não chegaram às mãos do delegado Aírton Franco. "Mas vamos insistir para ter estes documentos e prosseguir na trilha de quem desviou dinheiro público", assegura o delegado.

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