Rio, 29 (AE) - O governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), criticou hoje seu colega de partido, o deputado federal Antonio Kandir (SP), que, em entrevistas, disse que a proposta do relator da reforma tributária, deputado federal Mussa Demes (PFL-PI), era inegociável. "Me causou estranheza ver o deputado dando murrinhos na mesa e falando como representante do PSDB na comissão da reforma tributária", afirmou, irônico. "Nunca fui ouvido a esse respeito e não reconheço nele nenhuma legitimidade para falar daquela maneira pelo partido."
A declaração de Jereissati foi dada durante uma mesa-redonda com a presença de ministros, governadores, parlamentares e dirigentes do PSDB, promovida pelo Instituto Teotônio Vilela, uma entidade de estudos e pesquisas vinculada ao partido. E a crítica do governador cearense tem como pano de fundo a divergência dentro do PSDB entre paulistas e nordestinos sobre quem ganha e quem perde com a reforma tributária aprovada pela comissão. O governador de São Paulo, Mario Covas, convidado para o mesmo debate, não compareceu.
Jereissati defendeu a idéia de que a reforma tributária tenha outros objetivos além da diminuição da sonegação fiscal e do aumento de competitividade das empresas brasileiras. "É preciso pensar numa reforma que desconcentre a renda e não tenho visto o assunto ser discutido desta maneira", disse.
A entrevista de Kandir foi citada pelo governador como um exemplo da falta de uma linha-mestra no pensamento tucano. "Temos de ter unidade independentemente das questões regionais", afirmou. Antecipando o discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso, que viria logo depois, Jereissati disse que o PSDB parece "tolhido, intimidado por estar no poder" e incentivou o partido a assumir posições firmes. "Acho fundamental que o PSDB seja novamente, como foi, um partido de ponta, que tem linha e programa.
O governador criticou também a falta de uma aliança sólida que dê sustentação ao programa do governo. "As alianças são formadas em cima de negociações específicas, particulares, com um grau de fisiologismo acima do desejável", apontou. O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que também participou da mesa-redonda, identificou na política de amplas alianças uma das origens das dificuldades do PSDB.
"Ninguém tem o direito de nos rotular de neoliberais", afirmou, entre aplausos. "Temos recebido críticas doutrinárias e políticas e o partido não se animou a enfrentá-las". Para Pimenta da Veiga, o PSDB tem de "explicitar" a social-democracia que defende.

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