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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Claudia Dianni 
Brasília, 29 (AE) - O embaixador do Suriname no Brasil, Rubert Lawrence Christopher, negou que tenha sido convidado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o narcotráfico, como afirmou o deputado federal Moroni Torgan (PFL-CE), relator da CPI. O embaixador também disse ser "uma grande mentira" a informação que consta do levantamento feito pela da Polícia Federal, já encaminhado ao Senado, segundo o qual, em 1990, Christopher teria assassinado o guarda-costas do líder do comando da selva do Suriname, Ronnie Brunswijk, a mando do ex-ditador Desi Bouterse, condenado por tráfico internacional de drogas. "Ninguém deve mexer com assuntos internos do Suriname", disse.
"Eu não me meto nos assuntos dos sem-terra", comparou. "Essas pessoas querem me colocar em um fogo em que eu não estou", defendeu-se. De acordo com o embaixador, a CPI não pode convidá-lo para depor porque ele está protegido pela imunidade diplomática. "Eles nem têm competência para me convidar, só o Itamaraty pode fazer isso", disse.
Na semana passada, Torgan acusou o embaixador de ser o braço-direito de Bouterse, ex-ditador no Suriname de 1980 a 1987
quando houve eleições democráticas naquele país. "Ele (Moroni Torgan) está fazendo insinuações sem lógica", reclamou o embaixador. "Ele sequer baseia suas insinuações em algo concreto", disse. "Ele deveria ocupar-se do Ceará, não do Suriname."
O embaixador afirmou que falará com qualquer autoridade brasileira, menos com o relator da CPI, desde que sejam usados os meios diplomáticos. "Com ele eu não falo porque ele é um mal- educado", afirmou. O embaixador, que há 15 anos foi oficial de polícia, conforme contou, disse que Torgan está conduzindo mal as investigações sobre o narcotráfico. "A primeira coisa que se faz quando se tem uma informação é calar a boca, recolher provas e depois apresentar às autoridades competentes."
Christopher confirmou que o filho do ex-ditador, Dino Bouterse, trabalhava na embaixada, onde ocupou o cargo de terceiro secretário durante dois anos. "Mas ao contrário do que anda dizendo o deputado, ele voltou para o Suriname no dia dez de abril, portanto antes de ser instalada a CPI." O embaixador, no entanto, não explicou por que o filho do ex-ditador condenado por tráfico de drogas voltou para o Suriname. "Isso é um assunto interno." Com relação às suas relações com o Bouterse, o embaixador disse ser "um assunto particular".
Segundo explicou o embaixador, para acusar de crime um diplomata em missão é preciso que haja um flagrante para basear a expulsão ou apresentar provas ao governo do país do diplomata. De acordo com o Itamaraty, o embaixador não é obrigado a contribuir com a CPI porque goza de imunidade diplomática e o Ministério das Relações Exteriores não recebeu nenhum comunicado da CPI dando conta de que Christopher estaria sendo investigado ou qualquer pedido de interferência do Itamaraty.


