Rio, 29 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso, em discurso hoje na sede da Firjan, defendeu "sensatez" na discussão sobre a reforma tributária. Segundo ele, não faz sentido voltar a incluir na Constituição regras que devem ser colocadas como lei complementar, caso da proposta do deputado Mussa Demes (PFL-PI). O presidente também disse que o Proer ajudou a sanear o sistema financeiro nacional. "E agora vem o Congresso e faz isso", disse o presidente em referência ao resultado da CPI dos Bancos no Senado, cujas críticas ao Proer foram rebatidas pelo diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, que em seguida pediu demissão.
Fernando Henrique lembrou que no início do ano as previsões feitas para a economia brasileira eram muto ruins e o governo conseguiu controlar, pela segunda vez, a inflação. "Estamos agora discutindo vírgula, se vai ser 8,3% ou 8,6%. E isso me deixa feliz", afirmou. Ele rejeitou a tese de que seu governo tivesse desnacionalizado ou sucateado a indústria nacional, afirmando que ela se internacionalizou. O presidente disse que depois de superados os problemas causados pela crise russa, com o consequente ataque especulativo ao Brasil no final do ano passado, a tarefa do governo agora é baixar os juros para o País crescer. Ele afirmou que o Brasil agora tem que contar com seus capitais produtivos e não mais com capitais de curto prazo, apesar do apoio que as instituições financeiras internacionais e os países estrangeiros deram ao Brasil durante a crise.
O presidente queixou-se que o mercado financeiro internacional é cada vez mais exigente em relação à economia brasileira. "Os mercados financeiros impõem um sarrafo cada vez maior", afirmou. "Mas o meu principal problema é promover o desenvolvimento", disse. O presidente, em seu discurso, lembrou que, ao restringir a validade das medidas provisórias por dois meses e mais dois meses extras, o Senado acabou por trancar a pauta do Congresso.
Falando a uma platéia de líderes do PSDB, o presidente reconheceu que o tema da governabilidade tem de voltar à agenda política do País. Ele admitiu que o governo atualmente conta com uma "maioria fluida". FHC também criticou, em seu pronunciamento o corporativismo e a máquina clientelista, que segundo ele ainda tem forte presença na administração estatal. Fernando Henrique admitiu que o corporativismo pode ser mais danoso ao País porque apresenta seus interesses como se fossem interesses nacionais.

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