PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 29 (AE) -O médico-legista Fortunato Badan Palhares pediu afastamento do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) até que a CPI do Narcotráfico conclua as investigações sobre suas atividades. O perito, que prestou depoimento durante 12 horas na última quinta-feira, em Brasília, voltará a depor em Maceió, onde será colocado frente a frente com o legista George Sanguinetti. O encontro tem como objetivo debater, mais uma vez, a polêmica sobre a morte do empresário Paulo Cesar Farias, o PC, e sua namorada, Suzana Marcolino, em 1996.
A Unicamp divulgou nota oficial explicando que não recebeu nenhum requerimento da CPI do Narcotráfico ou do Ministério Público, solicitando informações sobre os casos investigados pelos parlamentares. "Não se justifica, portanto, qualquer manifestação antecipada da Unicamp", diz a nota. "Tal manifestação implicaria em risco de julgamento prévio sobre as atividades do professor Badan Palhares, o que a instituição tem obrigação de evitar", diz o texto.
O legista diz estar pronto para o novo depoimento à CPI. "Faço acareação com qualquer pessoa", garante. Palhares também afirma não ter medo de ser indiciado por falsa perícia, conforme comentam os parlamentares."O indiciamento só pode existir quando houver elementos comprobatórios de um ato ilícito", diz. "Tenho certeza absoluta que esses elementos não existirão, porque em nenhum momento eu participei de qualquer procedimento ilícito."
O legista também quer esclarecer dúvida sobre as fitas com imagens das necrópsias realizadas nos corpos de PC e Suzana. A Justiça de Alagoas diz que recebeu apenas duas fitas, mas Palhares garante que enviou oito. "Temos o recibo destas fitas", afirma. Segundo ele, o recibo foi assinado pelo promotor de Justiça de Maceió, Luiz Vasconcelos, que reabriu o caso e esteve em Campinas em maio para ouvir o legista.


