PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de novembro de 1999
por Gustavo Alves 
Rio, 29 (AE) - O governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), criticou há pouco, em seminário promovido pelo Instituto Teotônio Vilella, na Firjan, a postura do deputado Antônio Kandir (PSDB-SP) em relação à reforma tributária. Jereissati queixou-se de uma entrevista que Kandir deu à televisão, onde, como representante do partido na comissão da reforma, defendeu a proposta do deputado Mussa Demes (PFL-PI).
Segundo o governador, Kandir ficou "dando "murrinhos na mesa" e dizendo que a proposta era inegociável. "Não reconheço no deputado Antônio Kandir nenhuma legitimidade para estar falando daquela maneira", afirmou Jereissati. O governador afirmou que a posição de Kandir pode até ser apoiada, mas ele, governador, não foi ouvido e o partido ainda não definiu uma posição sobre o assunto. Jereissati, em sua palestra
queixou-se que falta ao PSDB atualmente posições definidas sobre as linhas de atuação do partido.
Alianças - O governador do Ceará também reclamou que no governo atual "as alianças são frutos das circunstâncias, negociações específicas, às vezes muito mais por razões particulares e privadas do que por uma aliança programática de governo". Segundo o governador, esta falta de uma aliança partidiária baseada em programa pode agravar os problemas do Brasil e causar até crises econômicas. "Temos tido negociações que envolvem um grau de fisiologismo muito maior do que o razoável", afirmou, queixando-se da excessiva ingerência de interesses de grupo, como a bancada ruralista, representantes de hospitais e escolas nas negociações do Congresso. "Se não conseguirmos alcançar uma estabilidade política na qual o presidente seja suportado por partidos unidos por um programa de governo, vamos ter um País com extrema dificuldade de ser governado e sujeito a crises econômicas provocadas por crises políticas", disse Jereissati.


