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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 29 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso, em palestra iniciada há pouco para oficias alunos e estágiários da Escola Superior de Guerra (ESG) na Escola Naval, atribuiu a mudança na política cambial à crise externa. O presidente disse que foi devido à crise da Rússia, no segundo semestre do ano passado, que o Brasil foi obrigado a desvalorizar a sua moeda. O presidente afirmou, também, que, quando o plano real foi feito, em julho de 94, havia o objetivo de não deixar que a moeda brasileira perdesse valor, mas observou que só em setembro do ano passado o Brasil perdeu US$ 22 bi em reservas cambiais.
Neste momento, o presidente continua seu discurso, mas só a primeira parte da palestra foi aberta aos jornalistas, que foram retirados há pouco do auditório. O presidente disse que sua palestra será sobre segurança e defesa, mas, no início do discurso, fez algumas considerações sobre a situação econômica do País e a globalização.
Mercosul e globalização - Segundo o presidente, a ordem econômica e política não está definida no mundo, como defendem muitos pensadores, e o Brasil tem um papel importante na globalização. "Nós não podemos aceitar a situação de vítima ou objeto da história, posto que somos atores com direito a construir um mundo novo que tem reflita nossos valores e interesses", afirmou. O presidente defendeu o Mercosul, no início de seu discurso para oficiais e estagiários da Escola Superior de Guerra (ESG), na Escola Naval. Segundo ele, um mundo onde a concorrência é cada vez mais aguda "requer da nossa parte uma visão muito clara da capacidade para que nós possamos nos inserir com os nossos aliados". "Obviamente, um País como o Brasil, que se junta no Mercosul aos seus vizinhos mais próximos e que uma expressão no continente sul-americano, há de pensar nesta integração com o uma integração que faz parte deste processo de globalização".
Política monetária - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que, "uma vez que se busca uma política de desvalorização da moeda, os instrumentos disponíveis para isso implicam em uma política monetária muito apertada; em uma política das taxas de juros também muito controlada e na necessidade de um fluxo de capitais para garantir as reservas". O presidente explicou que isso serve para que se possa ter um valor da moeda nacional, relativamente estável em relação às moedas padrão, basicamente o dólar.


