Brasília, 29 (AE) - O senador Luiz Estevão (PMDB-DF) defendeu-se na entrevista ao programa "Bom Dia, Brasil" de hoje, de acusações de envolvimento no superafaturamento das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. Quando questionado sobre a coincidência entre os pagamentos por supostas obras do Fórum e depósitos na conta dele, o senador disse que não houve nenhum depósito em seu nome. "Há depósitos nas contas das nossas empresas, e teria que haver, porque negócios corretos, decentes e regulares se fazem assim: com pagamento em cheque em nome da empresa, depositado na conta da empresa".
Quanto às datas, ele disse que "não há coincidência. Agora, é evidente que a pessoa, para pagar, tem que receber de alguém, da mesma forma como as pessoas que recebem salário pagam suas contas quando recebem salário". Em relação às denúncias de superfaturamento, Estevão argumentou: "É muito interessante fazer uma reflexão: o Brasil tem um Tribunal de Contas da União, a quem compete julgar a regularidade das contas públicas. Aquela obra (o Fórum Trabalhista) era supervisionada pelo Tribunal Superior do Trabalho, que é quem recebia dinheiro do Poder Executivo e o repassava para o TRT. A Comissão de Orçamento do Congresso, durante seis anos, inclusive com asssinatura de todos os parlamentares do PT, aprovou a alocação de recursos extras do Orçamento da União para aquela obra. E o Poder Executivo, todos os anos previa recursos para aquela obra e, mais do que isso: quando o recurso acabava no final do ano, ainda fazia um crédito suplementar no final do ano". Diante disso, o senador ponderou: "Ora, se todas essas instituições, que zelam pelo dinheiro público, achavam que a obra estava regular, o que que eu, que não tenho nada a ver com aquela obra, que simplesmente fiz outros negócios com a empresa que o construiu, o que me competia fazer?"
Fazenda - Ainda na entrevista, o senador rebateu as acusações de que teria vendido uma fazenda por US$ 15 milhões, mas que continua dono de parte da fazenda; vendido um terreno, mas continua dono dele e recebido a concessão para construir um terminal, não ter feito nada e ainda ter recebido US$ 8 milhões por ele. Repetindo o que já dissera à própria CPI, Estevão disse: "A fazenda, nós a compramos em sociedade; em seguida, desistimos da nossa parte. O Grupo Monteiro de Barros quis comprar a integralidade da Fazenda e nos pagou. Acontece que, como ele estava, no final do ano passado, querendo se desfazer de parte da fazenda, nós fizemos um contrato com eles: se conseguirmos dar dois terços da fazenda em dação de pagamento de alguma composição de dívidas, nós recompraremos dois terços da fazenda deles". Quanto ao terreno, localizado no Morumbi, ele justificou: "Nós dissemos à CPI que, em 1997, nós recuperamos o terreno. Portanto, não há nenhuma novidade nisso". Por fim, quanto ao terminal, Estevão disse que vendeu a sua participação nele. "Se, depois disso, em função de problemas enfrentados com a Justiça pelo Grupo Monteiro de Barros, o grupo francês que nos sucedeu desistiu do negócio, não nos cabe qualquer ingerência nesse assunto", afirmou.





