Grozny, 29 (AE-AP) - Autoridades russas pediram nesta segunda-feira (29) a civis escondidos nos porões de casas em ruínas em Grozny para que fujam da capital chechena - uma empreitada arriscada, já que foguetes russos eram disparados implacavelmente contra a cidade.
Forças federais não demonstraram sinais de reduzir os ataques contra a república separatista da Chechênia, mesmo com a presença de um importante mediador internacional em Moscou nesta segunda-feira para agendar uma visita à região. O Kremlin ignorou críticas internacionais contra a campanha na Chechênia, considerando que o problema é um assunto interno da Rússia.
Os russos intensificaram os bombardeios contra Grozny na última semana, deixando centenas de mortos e feridos e destruindo dezenas de prédios e casas. Oficiais russos acreditam que cerca de 50.000 civis ainda estejam na cidade, muitos dos quais são idosos e enfermos e carecem de transporte para fugir.
Em breves intervalos entre os ataques de hoje, civis deixaram os porões nos quais se escondiam para procurar por água e comida. "É como uma loteria sem fim, com a morte sendo o único prêmio. Todos os dias trazem novas mortes", disse Marzhan Khakimova, uma mulher de 72 anos que vive em um porão em Grozny.
Os ataques desta segunda-feira atingiram uma das maiores vias públicas de Grozny, a Avenida Avtarkhanov, assim como bairros residenciais e uma revendedora de automóveis. Testemunhas disseram que houve vítimas, mas não havia números disponíveis.
Em Moscou, o vice-primeiro-ministro Nikolai Koshman, representante russo na Chechênia, disse que Moscou reconstruiria Grozny após o fim da guerra, mas este é o momento de os civis fugirem. "Não há o que fazer em Grozny agora. É necessário que as atividades sejam encerradas e a população pacífica seja retirada", declarou ele em entrevista coletiva.
Aviões russos despejaram panfletos sobre Grozny oferecendo aos civis um corredor seguro para fora da cidade, mas não estava imediatamente claro como os moradores poderiam fugir em segurança em meio a ataques implacáveis.
Fugir da Chechência também estava se demonstrando uma tarefa difícil. O posto de fronteira com a república vizinha da Ingushétia foi fechado durante a manhã. Estima-se que cerca de 3.000 civis, a maioria proveniente de Grozny, formavam uma fila de mais de um quilômetro na fronteira.
O fechamento do posto ocorreu devido a problemas de eletricidade e informaática que impediam as autoridades locais de registrar os refugiados adequadamente. Os problemas foram resolvidos e a fronteira foi reaberta na parte da tarde, informaram militares.
Enquanto isso, o ministro de Relações Exteriores da Noruega, Knut Vollebaek, presidente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), chegava a Moscou nesta segunda-feira. Tentando marcar uma viagem à região do norte do Cáucaso, ele reuniu-se com o ministro de Relações Exteriores russo Igor Ivanov. Segundo este, o governo russo "consideraria" a hipótese da viagem, informaram agências de notícias russas.
A comunidade internacional pressiona a Rússia para que interrompa a ofensiva, reclamando do grande número de civis mortos e as notícias de mais de 233.000 refugiados.
A Rússia insiste que não quer mediação internacional e diz ter como objetivo destruir os militantes antes do início de negiociações.

mockup