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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 29 (AE) - Com poder absoluto desde que conseguiu na Justiça tirar o poder de veto dos sócios privados na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o governador Itamar Franco (PMDB) quer mais uma vez intervir na administração da empresa em nome de interesses políticos. Ele ameaçou proibir o fim do subsídio para cerca de 850 mil consumidores anunciado no fim da semana passada pela direção da companhia.
Itamar ficou irritado com a medida - que representará um aumento de 44% a 194% para os consumidores atingidos - e cobrou explicações do presidente da Cemig, Djalma Morais. Uma reunião entre os dois teve início às 18 horas de hoje. Antes do encontro
o governador já havia anunciado que só aceitaria o fim do subsídio caso fosse convencido da necessidade.
A medida, caso seja mesmo concretizada, representará uma redução de custos da ordem de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões na planilha de custos da empresa que deverá ser encaminha a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na avaliação de Itamar, a direção da estatal mineira está sendo atenciosa demais com a determinações da agência.
A decisão da direção da Cemig de rever o subsídio atende a uma portaria do antigo Departamento Nacional de Energia Elétrica (Dnaee), que classifica o consumidor residencial de baixa renda que deve ser beneficiado pelo subsídio. A empresa fez uma pesquisa e descobriu um grande número de consumidores que não atendem à classificação da portaria acatada também pela Aneel.
Pelo critério, têm direito ao subsídio apenas as residências com padrão monofásico, consumo de 180 kw/h, construção civil de baixo padrão (até cinco cômodos) e disjuntor inferior a 40 amperes. Entre os consumidores que perderão o benefício estão residências de veraneio, casas de campo e até apart-hotéis.
De acordo com o presidente da Cemig, não trata-se de um aumento, como tem entendido o governador. A medida tem sido chamada de recadastramento pela companhia. Hoje à tarde Morais deu entrevista à imprensa para explicar o fim do subsídio e deixou claro que sua missão era convencer a imprensa para conseguir a aprovação de Itamar. O governador mandou um assessor da Comunicação Social acompanhar a coletiva.
O presidente da Cemig admitiu que nada poderá fazer caso o governador resolva sustar o fim do subsídio. "Ele é o sócio majoritário", disse. "Mas tenho esperanças de que ele vá entender", completou.


