Seattle, EUA, 29 (AE) - Peggy Sue McRae tem um rosto redondo e corado, usa óculos também redondos e é ligeiramente encorpada. Mora num subúrbio ao norte de Seattle e trabalha como escultora. Hoje, pouco antes das 10 horas, Peggy e sete companheiros subiram uma ladeira ao lado do Hotel Sheraton, na direção do centro de convenções, levando bandeirolas amarelas e fantasiados de tartaruga. As bandeirolas tinham mensagens de protesto contra a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na rua e nas calçadas misturavam-se manifestantes, diplomatas, membros de delegações e repórteres. Havia muitas equipes de televisão e ninguém podia entrar no centro de convenções, cercado pela polícia. Todos os trabalhos programados foram suspensos porque duas portas haviam sido encontradas abertas, de manhã. Essa era a informação fornecida por policiais. Entre diplomatas circulava uma história mais temperada: as portas haviam sido arrancadas, embora o prédio, supostamente, estivesse protegido o tempo todo por um serviço de segurança.
Quando chegou o grupo de Peggy Sue, dois carros de bombeiro estavam estacionados, havia poucos minutos, num prédio ao lado do centro. Um alarme de incêndio havia disparado, acrescentando um pouco de sensação ao cenário. Os bombeiros entraram, com roupas especiais, para ver qual era o problema. A essa altura, havia gente examinando o centro de convenções e o edifício lateral, em busca de uma possível bomba. Pouco depois das 11 horas, uma longa fila estava formada na rua do prédio lateral. As pessoas foram, finalmente, autorizadas a entrar.
Duas horas antes deveria ter começado um simpósio de organizações não-governamentais (ONGs), com participação do secretário-geral da OMC, o neozelandês Michael Moore, da representante Comercial dos Estados Unidos, Charlene Barshefsky, e do comissário de Comércio da União Européia, o francês Pascal Lamy.
Com a emergência, sobraram só as manifestações de rua. Havia muitos pequenos grupos de manifestantes na vizinhança do centro de convenções, mas nada parecido com uma aglomeração compacta. Havia muito espaço para circular. O grupo das tartarugas critica a OMC por haver reprovado uma lei norte-americana destinada, supostamente, à proteção da vida marinha. Essa lei proibia a importação de produtos da pesca obtidos sem certos cuidados - com risco, portanto, para algumas espécies. Nesse caso, segundo Peggy Sue, a OMC havia agido contra o ambiente e contra a soberania dos Estados Unidos. Mas a defesa dos bichos marinhos, acrescentou, é também um pretexto para manifestações em defesa de padrões trabalhistas, direitos humanos etc.

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