São Paulo, 29 (AE) - O embaixador do Brasil na Argentina
Sebastião Rego Barros Neto, acredita que o conflito em torno das exportações brasileiras de frango para aquele país terá solução antes da posse no novo presidente, Fernando De la Rúa. Segundo informou, a interferência da Justiça nessa questão constitui problema grave para a Argentina, uma vez que fere os acordos internacionais no âmbito do Mercosul e está em desacordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
"A manifestação da Justiça sobre assuntos de comércio exterior fere também os princípios constitucionais da Argentina e coloca o país em situação delicada diante de todos os seus parceiros internacionais." Para o embaixador, o parecer judicial que impede a entrada de caminhões carregados com frango em território argentino está com os dias contados. Deverá ser derrubado antes do dia 10, data da posse de De la Rúa.
Esse tema deverá, assim, ser debatido na OMC, já que existem denúncias de empresas argentinas de prática de dumping por parte dos fornecedores brasileiros de frango. Mesmo na OMC, o embaixador não acredita em vitória da Argentina porque a diferença entre os preços deve-se à eficiência da produção brasileira e não a uma redução indevida de preços.
Barros atribui os conflitos comerciais entre os dois países a uma disputa de mercado. Segundo afirmou, não é reflexo da desvalorização do real, que até o momento não beneficiou o Brasil do ponto de vista de comércio exterior. Tampouco o embaixador acredita em ameaça à sobrevivência do Mercosul.
Para ele, os problemas bilaterais não atingiram a parceria entre os dois países nas discussões relativas ao protecionismo internacional e nas consequentes barreiras criadas à exportações de produtos agrícolas, que começam a ser discutidas em Seattle (EUA), na reunião preparatória à Rodada do Milênio.
Brasil e Argentina são parceiros naturais, disse Barros, que participou ontem da reunião de diretoria semanal da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Os dois países enfrentam um período de recessão econômica, o que foi agravado pela queda das cotações da commodities, e as empresas tentam manter os seus mercados. "Com a mudança do governo na Argentina, os dois países deverão retomar as negociações e buscar fórmulas pacíficas de convivência", disse o embaixador.

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