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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por José Ramos 
Brasília, 29 (AE) - O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, afirmou hoje que acredita na possibilidade de privatização da empresas de energia elétrica Furnas, Chesf e Eletronorte em 2000. A venda ainda depende de estudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre o modelo de pulverização das ações.
Firmino disse não temer que a rediscussão dos termos dos contratos das concessionárias de serviços públicos, em estudo no governo, prejudique as privatizações. "Sempre nos foi dito que os contratos são para ser honrados e para mim vale o conceito", observou. Em sua avaliação, o impacto das tarifas na inflação decorreu da mudança no câmbio, como em todos os setores da economia que possuem preços indexados ao dólar.
Cerca de 30% da eletricidade consumida na Região Sudeste são comprados em dólar da Binacional Itaipu, do Brasil e Paraguai. "De repente, o megawatt/hora, que estava em R$ 32,00, pulou para R$ 56,00", explicou. Os demais custos das operadoras foram afetados também pela variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), que igualmente subiu.
O presidente da Eletrobrás previu que até o fim do próximo semestre deverão ser privatizadas as distribuidoras de energia Cepisa (PI), Cemar (MA), Celpe (PE) e Ceal (AL). "Se houver acordo com o governo de Amazonas, podemos incluir na lista a Manaus Energia."
A venda da Ceal dependerá de decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que dia 7 deverá julgar ação rescisória dos funcionários da empresa. Se a ação trabalhista, que pode chegar a R$ 300 milhões, for favorável à empresa, a venda deverá ocorrer no início de 2000. "Se a decisão for favorável aos empregados, a privatização já terá ocorrido, com a pulverização das ações", brincou Sampaio, dizendo que o patrimônio será usado para pagar as indenizações.
A Eletros, fundação de previdência complementar da Eletrobrás, deverá administrar o plano de previdência complementar dos cerca de 550 empregados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), segundo o presidente do ONS, Mário Santos. Ele informou que a consultoria Towers Perrin foi contratada para avaliar as três administradoras, entre as quais a Eletros.
Segundo informações não oficiais, as outras duas seriam a CCF e o Citybank. Segundo Santos, o trabalho de auditoria revelou que as três empresas estariam em relativa igualdade de condições e o ONS optou pela Eletros, pois cerca de metade dos funcionários é proveniente da Eletrobrás e já está vinculada ao fundo da estatal.
Firmino disse que a Eletros não tem dívida atuarial, já que a maioria de seus filiados é de funcionários de escritório, sem aposentadoria precoce. O patrimônio é de R$ 850 milhões. A administradora tem 1574 funcionários na ativa, dos quais 1050 são da Eletrobrás, e 2400 que já recebem benefícios.


