São Paulo, 29 (AE) - A definição da taxa básica dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) é uma questão "delicada" na opinião do presidente do conselho de administração do Banco Bradesco, Lázaro de Mello Brandão. O encontro, marcado para 15 de dezembro, será o último do ano e vem sendo alvo de forte expectativa do mercado financeiro por causa dos elevados índices de inflação.
Boa parte do mercado acredita que, no mínimo, deva haver uma mudança na tendência dos juros de neutra para alta, expectativa que ganhou força com a divulgação do IGPM de 2,39%, acima do esperado.
Para Lázaro Brandão tal decisão depende de vários fatores. Ele entende que o governo vai procurar manter os preços controlados seguindo a política de metas de inflação. No entanto
"se o comitê entender que o câmbio vai manter-se recuado, pode trabalhar melhor a questão dos juros", disse ontem na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), onde recebeu o Prêmio Antônio Proost Rodovalho de 1999.
O presidente do conselho do Bradesco está otimista para o próximo ano. Ele espera um aumento de 10% da carteira de crédito global do banco - hoje 20% nas mãos de pessoas físicas e 80% nas empresas - , adequado a um crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Para este ano, a expansão ainda será modesta, segundo Brandão, devendo ficar em torno dos 3%. A inadimplência está recuando, o que permite uma retomada dos financiamentos, até porque, disse, hoje em dia "o banco está mais bem preparado para conceder empréstimos, por causa das técnicas de gestão de risco.
Sobre o Banespa, Lázaro Brandão disse que a privatização deve ser disputada, atraindo vários grupos. A questão da multa deve ser mais facilmente resolvida, de acordo com ele, depois que a União adquirir a participação restante do governo de São Paulo no banco, de 16%. "Fica tudo em casa", explicou. A situação pode ser resolvida entre órgãos do governo federal envolvidos na questão, ou seja, a Receita Federal e o Banco Central.

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