São Paulo, 29 (AE) - As vendas de Natal ainda não deslancharam no comércio como um todo e a expectativa dos lojistas é que o volume de negócios cresça a partir de amanhã, quando os trabalhadores recebem a primeira parcela do 13º salário e o pagamento de novembro. A interrupção na queda dos juros do crediário e as temperaturas baixas registradas nas últimas semanas são apontados como fatores que atrapalharam as vendas de novembro, especialmente as do crediário.
Os números da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) indicam que a média diária de consultas para vendas a prazo (SCPC) cresceu 0,4% em novembro na comparação com o mesmo período de 1998. "Esperávamos um acréscimo de 5% e o resultado frustrou a expectativa", diz o economista da entidade, Emílio Alfieri. Ele destaca que os negócios a prazo perderam o ritmo neste mês, mesmo com o recuo do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado do consumidor. Desde agosto, o movimento de consultas para abrir crediário em relação a igual período de 1998 era crescente, com altas que oscilavam entre 2% e 5%.
No último fim de semana, o volume de registros recebidos para venda a prazo recuou 14% na comparação com o sábado e o domingo anteriores e caiu 1,4% em relação ao último fim de semana de outubro, segundo a ACSP.
Já as consultas para compras à vista e com cheque pré-datado mostraram alguma reação, apesar de os indicadores ainda continuarem negativos na comparação anual. A média diária de registros recebidos pelo Telecheque recuou 4,3% em novembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Até outubro, a queda nas compras à vista era de 9%. No último fim de semana, as consultas ao Telecheque ficaram 2% acima das registradas no fim de semana anterior. "A venda à vista está surpreendendo", diz Alfieri. Ele ressalta que, mesmo que o mês feche com queda de 4% no número de consultas na comparação anual, essa será a menor retração registrada este ano.
Na análise de Alfieri, o fato de a variação negativa na venda à vista ter caído pela metade pode estar indicando a cautela do consumidor em assumir novas dívidas no crediário.
Apesar de os números da ACSP indicarem uma frustração das expectativas até agora, os shoppings estão otimistas para o Natal. O presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Paulo de Barros Stewart, aposta que as vendas poderão crescer entre 10% e 12% neste Natal em relação à mesma data de 1998, já descontada a inflação, e admite a possibilidade de que este seja o melhor Natal do Real. "A segunda quinzena deste mês já foi mais movimentada." O Shopping Aricanduva registrou alta de 5% nas vendas do último fim de semana na comparação com o anterior, diz o superintendente, Marcos Novaes. Ele aposta num acréscimo de 10% a 15% na receita em dezembro em relação a igual período de 1998.

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