São Paulo, 29 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje que o governo está tentando incluir as metas de inflação como critério de desempenho no acordo com Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo ele, está se discutindo entre o governo brasileiro e o Fundo uma forma de controlar o cumprimento das metas de inflação, já que o FMI não tem experiência com países que utilizam este sistema.
As metas seriam incluídas em substituição ao critério de crédito doméstico líquido. Esse indicador representa a diferença entre a base monetária e as reservas internacionais de um país e serve para evitar que um governo expanda o crédito sem base que sustente essa expansão.
"A meta de inflação e o critério de crédito doméstico líquido não são compatíveis na medida em que um envolve o controle de agregados e estoques e o outro envolve metas para inflação", argumentou o ministro da Fazenda.
Malan, entretanto, negou que o governo brasileiro vá pedir ao FMI a extinção do piso mínimo para as reservas internacionais. Ele também não revelou se o governo vai querer utilizar ou não a quarta parcela de recursos que estará disponível para o País, de US$ 2,3 bilhões. Segundo ele, a decisão será anunciada até quinta-feira, prazo máximo para que o governo se pronuncie a respeito.
Inflação - Para o ministro da Fazenda, a inflação continua pressionada por fatores "transitórios", que não serão repetidos nos próximos meses. Essa declaração foi feita antes do anúncio do IGPM de novembro, que ficou em 2,39%.
Ele disse que as metas de inflação para este ano e o próximo serão cumpridas e considerou positivo que a sociedade brasileira esteja discutindo "a inflação depois da vírgula". Níveis de inflação como o atual, ponderou Malan, não ocorrem desde a década de 50.
Perspectivas - O ministro está otimista com as perspectivas da economia brasileira no próximo ano e espera até que ocorra uma reversão na atual taxa de câmbio. "Olhando hoje os fundamentos da economia brasileira e as perspectivas para 2000, podemos dizer que existem mais elementos para uma apreciação que para depreciação do real no início do próximo ano", disse o ministro, durante seminário organizado pela empresa InterNews para discutir o futuro da economia brasileira.
Malan disse que a média anual de crescimento da economia brasileira no próximo triênio será de 4%. Mas se os ajustes necessários forem feitos, esse ritmo de crescimento pode ser maior. Ele lembrou que o déficit em conta corrente deste ano será entre US$ 9 bilhões e US$ 10 bilhões inferior ao de 1998 e uma nova queda vai ocorrer em 2001.

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